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14/07/2020 - 18h09min

Moções relacionadas à UFSC voltam a provocar polêmica em plenário

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Sessão ordinária desta terça-feira (14)
FOTO: Bruno Collaço / AGÊNCIA AL

Duas moções, uma de aplauso e outra de repúdio, ambas relacionadas à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), provocaram polêmica entre os deputados, durante a sessão desta terça-feira (14) da Assembleia Legislativa. Na semana passada, a Alesc havia aprovado uma moção de repúdio pela “paralisação total” da universidade, que também causou polêmica.

A primeira moção, de número 317/2020, da deputada Luciane Carminatti (PT), cumprimenta o reitor da UFSC pela nona posição entre as melhores universidades da América Latina no ranking da Times Higher Education. A parlamentar ressaltou que a instituição passou da 12ª para a nova colocação e destacou que a UFSC é a única do Sul do país a figurar entre os dez primeiros.

Dr. Vicente Caropreso (PSDB), que é egresso da universidade, foi o primeiro a se manifestar e apoiou a moção. Ele destacou o papel da UFSC na formação de lideranças para todo o país. “É uma instituição que passa por crises, mas tem se mantido altiva. Em que pese em algumas coisas poderia estar à frente, mas a gente se orgulha desse grande desempenho não só no Brasil, mas em toda a América Latina”, disse.

Altair Silva (PP), Jessé Lopes (PSL), Sargento Lima (PSL) e Bruno Souza (Novo) se posicionaram contra a moção. Altair criticou o fato da UFSC estar sem aulas e das universidades federais atuarem algumas vezes como, na sua opinião, centros de formação de ideologia política ao invés de propagadoras do conhecimento. “Não vejo na UFSC uma universidade com todo esse potencial”, disse.

Jessé Lopes afirmou não ser contra a universidade, mas contra atitudes que ocorrem dentro dela. Acrescentou que não via motivos para parabeniza-la por ser nona colocada em um ranking dentro da América Latina. “Tem um orçamento de um bilhão de reais por ano. Bota isso numa rede particular e vai ser mais otimizado o dinheiro”, disse. “É obrigação fazer coisa boa, não tem que ser mencionado.”

Já Bruno Souza disse que a reitoria não merecia parabéns, por não ter se esforçado para o retorno às aulas.

Fabiano da Luz (PT), favorável à moção, disse que os bons resultados da educação pública devem ser comemorados. “Se fosse privada, alguns deputados estariam soltando foguetes e solicitando homenagens especiais da Casa”, afirmou.

Luciane Carminatti lamentou as manifestações contrárias à moção. Para ela, tais posicionamentos demonstram preconceito e desconhecimento do trabalho desenvolvido na UFSC. “Não significa que não tenhamos críticas, mas não podemos desconhecer o grande trabalho feito ao longo das décadas”, finalizou.

No placar final da votação, a moção foi aprovada por 17 votos a sete.

Evento LGBTQIA+
A outra moção (319/2020), de autoria de Jessé Lopes, repudiou o uso do espaço da universidade para a promoção de uma live sobre não binariedade e visibilidade nos movimentos LBGTQIA+. O deputado afirmou que era contrário à discussão desse tema numa instituição custeada com recursos públicos.

“Não estou falando para ninguém se manifestar”, disse. “Mas estão usando uma instituição pública paga com dinheiro dos catarinenses para tratar de um assunto que, se fizerem uma pesquisa, certamente mais de 90% dos pais e mães não vão ser a favor.”

Ada da Luca (MDB), que se posicionou contra a moção, destacou que as universidades são espaços democráticos. “Tem acontecido alguns exageros, mas precisamos permitir os debates de ideias”, disse.

Dr. Vicente também destacou que a universidade é o espaço para vários tipos de posicionamento. “Há uma discriminação muito grande desse público. Tenho que respeitar essa determinação da UFSC em dar possibilidade das pessoas se reunirem e tomarem suas decisões”, completou.

Favorável à moção, Sargento Lima acredita que o dinheiro da universidade pública não deve ser utilizado para financiar ideologias que são de um pequeno grupo. “Façam à suas custas, não às custas do dinheiro público”, disse.

Jair Miotto (PSC), também favorável, lembrou que todos os grupos devem ter seus direitos preservados, mas ponderou que “uma coisa é direito, outra é apologia, incentivo”. 

Luciane Carminatti destacou que os LGBTQIA+ são vítimas de violência. “No Brasil, uma pessoa LBGT é morta a cada 27 horas, vítima de violência e do preconceito expresso por alguns deputados neste momento”, declarou. “Da live só participou quem quis, não custou nada aos cofres públicos.”

Contrária à moção, a parlamentar destacou que a Assembleia deveria dedicar seu tempo aos assuntos que realmente interessam. “Estamos perdendo tempo por uma moção que trata de uma live, quando estamos vendo em todas as regiões crescer os índices de coronavírus, faltando leitos de UTI”, comentou. “O que destrói uma família é não ter o que pôr na mesa, não ter moradia, é ver o pai matar a mãe e depois se suicidar. O que destrói é o preconceito, a ignorância, não é ciência, não é o conhecimento, não é o diálogo, não é a diversidade.”

Já Ivan Naatz (PL), que se absteve, criticou o fato dos deputados discutirem assuntos referentes a uma universidade federal que, na sua opinião, deveriam ser debatidos na esfera federal. “Vamos discutir as pautas que são da Assembleia”, comentou. “Deputado pode discutir isso, tem um monte de instrumento para discutir as pautas do mandato. Mas temos que usar nosso tempo para fazer coisas muito mais produtivas, que interessam a todos os catarinenses.”

A moção foi aprovada por 13 votos a oito e uma abstenção.

Marcelo Espinoza
Agência AL

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