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15/05/2018 - 11h12min

Palestra aborda Terapia da Integração Sensorial para autistas

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O professor e terapeuta ocupacional Fernando Calil apresentou os conceitos da terapia aos participantes do seminário
FOTO: Fábio Queiroz/Agência AL

O uso da Terapia da Integração Sensorial (IS) na reabilitação de autistas foi o tema da palestra do terapeuta ocupacional e professor Fernando Calil, na manhã desta terça-feira (15), durante o 3º Seminário Estadual sobre Autismo, que ocorre em Campos Novos, no Meio-Oeste catarinense. O evento promovido pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina reúne quase 500 pessoas, principalmente profissionais da saúde e da educação, no Clube Aqua Camponovense.

Calil apresentou a IS como uma abordagem terapêutica que tem ganhado espaço na reabilitação, graças à sua eficácia na organização do dia a dia do autista, facilitando principalmente o trabalho em sala de aula.

O professor explicou que o cérebro do autista é hiperexcitado, mais sensorial e mais motor. "Nós conseguimos interpretar, ao mesmo tempo, várias informações sensoriais, mas o autista recebe todos essas informações, não consegue organizá-las e entra em crise. A Terapia da Integração Sensorial procura trabalhar em cima dessa organização", disse.

Conforme Calil, a IS foi criada na década de 1960 pela norte-americana Jean Ayres. Consiste no processo neurológico que interpreta as sensações do próprio corpo e do ambiente, permitindo a organização do comportamento e o uso eficiente do corpo nas ações e atividades que fazem rotineiramente.

"Uma sala de aula, como um parque de diversões, é um ambiente rico de estímulos sensoriais. As cores, os cheiros, os movimentos. Para nós, é simples responder a esses estímulos. O autista tem que se acostumar com esse ambiente, mas é um processo longo."

O palestrante explicou que a IS incorpora, além dos cinco sentidos (fala, audição, olfato, visão e tato) outros dois: os sistemas vestibular e proprioceptivo, que são bastante importantes para a terapia com autistas. O objetivo é construir uma memória sensorial no autista, de tal forma que ele possa processar os estímulos sem entrar em crise.

Como a maioria das reações dos autistas envolve a dificuldade no processamento do estímulo recebido, o desafio é como saber se o autista gosta ou não gosta de determinado estímulo. Por isso, a IS passa também pela identificação de qual estímulo é importante e qual não é para a criança.

"Deve se trabalhar com todas as experiências sensoriais fornecidas pela família, pela escola, pelos terapeutas. Tudo isso vai ser integrado de alguma maneira, gerando um aprendizado para essa criança", comentou. "O resultado final é que esses sete sentidos ficam mais harmônicos e levam a respostas mais eficazes aos vários estímulos."

Durante a palestra, os participantes do seminário acompanharam a apresentação de dança dos alunos da Associação dos Amigos dos Autistas (AMA) de Campos Novos, dentro do Projeto Dança Terapia, realizada em parceria com a Coopercampos. A iniciativa reúne 42 autistas atendidos pela associação.

Calil utilizou a apresentação de exemplo sobre como a IS pode atuar. Comentou que todos os alunos que se apresentaram foram expostos aos mesmos estímulos, mas apresentaram respostas diferentes.

"Para uns, a música alta foi mão no ouvido. Para outros, foi movimento", disse. "Por isso, nem todos os estímulos eu vou poder oferecer para ele da forma como eu ofereceria para outra criança."

Calil exemplificou que a aceitação de diferentes estímulos deve ser feita com a apresentação gradativa destes ao autista. "Se eu quero que ele consuma frutas, temos que dar uma fruta por vez, não dar várias ao mesmo tempo. Tenho que pegar a maçã, por exemplo, e apresentar para ele de várias formas. Tenho que colocar o cheiro da maçã em uma massa de modelar, tenho que dar uma maça para ele colorir, até que ele interprete todos esses estímulos e organize isso."

Equoterapia
O 3º Seminário Estadual sobre Autismo termina na tarde desta terça-feira, com palestra o uso da equoterapia na reabilitação do autista. O evento é realizado pela Alesc, por meio da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, com apoio da Asca, AMA Campos Novos e Prefeitura de Campos Novos.

Marcelo Espinoza
Agência AL

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