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14/05/2018 - 11h32min

Palestra sobre aspectos clínicos abre seminário do autismo em Campos Novos

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Evento foi aberto na manhã desta segunda-feira (14) e reúne quase 300 pessoas no Clube Aqua Camponovense

Uma palestra sobre aspectos clínicos do autismo marcou, na manhã desta segunda-feira (14), em Campos Novos, no Meio-Oeste, o início do 3º Seminário Estadual sobre Autismo, promovido pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O evento, que acontece até terça-feira (15) no Clube Aqua Camponovense, reúne quase 300 professores, educadores e profissionais da área de saúde, principalmente das regiões Oeste e Meio-Oeste.

O objetivo do seminário é proprocionar uma visão multidisciplinar sobre o autismo, desde o diagnóstico até o tratamento. Na abertura, o deputado Romildo Titon (MDB), que é membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Alesc e um dos proponentes do evento, ressaltou a importância do aprendizado e da troca de informações sobre o autismo e elogiou o trabalho realizado pelos profissionais da área e pela Associação dos Amigos do Autista (AMA) de Campos Novos, parceira do seminário.

"É um investimento que a Assembleia faz nesses eventos para discutirmos e aprendermos cada vez mais", disse o deputado, que representou o presidente da comissão, deputado Ricardo Guidi (PSD), na solenidade. Titon prestou homenagem à AMA e também foi homenageado pela entidade.

O prefeito de Campos Novos, Silvio Zancanaro; o secretário-executivo da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Campos Novos, Jairo Luft; o gerente da Gerência Regional de Educação (Gered) de Campos Novos, Alaor Gotz; o presidente da AMA Campos Novos, Claudemir Durli; a vice-presidente da Associação Catarinense de Autismo (Asca), Vera Ottonelli Durli; a secretária da Saúde de Campos Novos, Sandra Maria Brezola; e o representante da Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil), Fernando Calil, também participaram da abertura.

Os desafios do diagnóstico
Primeiro palestrante do seminário, o pediatra Egon Frantz fez uma apresentação detalhada dos aspectos que envolvem o diagnóstico do autismo. Ele reiterou a necessidade do diagnóstico precoce da doença, entre  1 e 2 anos de idade.

"É um diagnóstico clínico, feito por vários profissionais da saúde, com base no histórico apresentado pelos pais, nos relatos que vêm da escola e na observação clínica da criança", comentou o médico. "Há pesquisas de qualidade que apontam que intervenções precoces têm impacto profundo no desenvolvimento do cérebro."

A dificuldade do estabelecimento de vínculos afetivos, de comunicação, de interação estão entre os sintomas clássicos do autismo. Mas, conforme o especialista, várias outras características podem auxiliar no diagnóstico: girar objetos, enfileirar brinquedos, emitir frases fora de contexto, insistência nas mesmas coisas, sofrimento com pequenas mudanças, seletividade na alimentação, atraso na fala, pouca fixação no olhar, entre outras.

"Coisas comuns como trocar o carro da família, pintar o quarto de uma cor diferente, fazer um caminho alternativo para a escola são motivo para muito sofrimento para a criança autista", disse.

Recentemente, mais características foram consideradas para o diagnóstico. A indiferença à dor e às variações de temperatura estão entre elas. Nas crianças e adolescentes, teimosia em excesso, comportamentos desafiadores e agressivos e má-educação, além de depressão e ansiedade, podem indicar o transtorno.

Apesar do diagnóstico não pode ser feito apenas com uso de recursos tecnológicos ou laboratoriais, há aspectos neurológicos e genéticos que podem auxiliar no diagnóstico. A falta de neurônios em espelho, por exemplo, é uma delas, feita por meio da neuroimagem. A neurogenética também tem seu papel importante, conforme o pediatra, só que os exames ainda são muito caros.

"Feito o diagnóstico, a necessidade do entendimento familiar, estendido aos avós, tios, primos, é importante. Não se pode esconder também o diagnóstico da escola, do professor, para a inclusão adequada e facilitada", disse.

Meninas
Frantz comentou a dificuldade no diagnóstico do autismo em meninas, principalmente nos graus mais leves da doença. Isso ocorre porque as pacientes do sexo feminino não costumam demonstrar agressividade e dificuldade de interação social, características clássicas observadas nos meninos.

"Existem muitas meninas subdiagnosticadas, principalmente com Nível 1 do autismo, já que elas não apresentam os sintomas clássicos e conseguem mascarar as dificuldades", disse o palestrante.

Algumas características podem apontar casos de autismo feminino: meninas "mandonas", que tendem a ser "mães ou professoras" de crianças mais novas, que querem ajudar a professora e cuidar dos colegas em sala de aula. Padrões masculinizados na forma de se vestir também podem indicar a presença do autismo.

O diagnóstico correto em meninas é importante segundo o especialista porque é comum que elas apresentem piora clínica ao atingir a puberdade, com quadros de depressão e ansiedade.

Mais palestras
O 3º Seminário Estadual sobre Autismo tem sequência na tarde desta segunda-feira com mais duas palestras, com foco na presença do segundo professor em sala de aula para alunos da educação especial. O evento é realizado pela Alesc, por meio da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, com apoio da Asca, AMA Campos Novos e Prefeitura de Campos Novos.

Marcelo Espinoza
Agência AL

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