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14/05/2018 - 16h59min

Seminário aborda papel do segundo professor na educação do autista

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A professora e pedagoga Edite Senhem, palestrante do Seminário Estadual sobre Autismo em Campos Novos
FOTO: Fábio Queiroz/Agência AL

O papel do professor no desenvolvimento do aluno com autismo foi tratado durante a segunda palestra do 3º Seminário Estadual sobre Autismo, na tarde desta segunda-feira (14), em Campos Novos, no Meio-Oeste. O evento promovido pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina acontece no Clube Aqua Camponovense e tem como tema principal o papel da interdisciplinaridade na reabilitação da pessoa com autismo.

A professora e pedagoga Edite Senhem apresentou aos participantes o programa pedagógico desenvolvido pela Secretaria de Estado da Educação (SED) e pela Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) para os alunos especiais. O programa tem como metas a qualificação do processo de ensino e aprendizagem dos estudantes, formação continuada dos educadores, implantação dos serviços educacionais especializados, entre outras.

Edite destacou a importância da formação continuada dos professores que atuam com a educação especial. Segundo ela, há cursos de formação de qualidade no Estado, mas é preciso dedicação por parte dos interessados. "As pessoas querem, muitas vezes, cursos rápidos, não querem ler muito. Precisamos sair disso. Ou a gente estuda ou vamos sempre dizer que não estamos preparados."

Olhar diferente
Para a palestrante, o maior desafio dos professores de educação especial é entender que os alunos vão aprender de formas diferentes dos demais estudantes. "É preciso educar nosso olhar, saber quem é a pessoa com quem estou trabalhando. De nada adianta eu ter o conhecimento se eu não olhar para essa pessoa de forma diferente."

Edite reiterou que não é a deficiência que vai impedir o aprendizado, mas o preconceito e a ausência desse olhar diferenciado sobre o aluno especial. "Todas as pessoas estão em condições de aprender, mas em condições diferentes. É preciso, com base no conhecimento que temos, buscar formas diferenciadas para que o aluno com deficência participe do processo de aprendizagem."

A professora exemplificou que um aluno autista pode ter dificuldade para lidar com símbolos números, porém, nem por isso não terá noções de quantidade. Da mesma forma, poderá ter informações detalhadas sobre determinado assunto, mesmo sem ter domínio da escrita ou da leitura.

"Procurar entender o autista é fundamental. Em alguns momentos, vai se preciso retirá-lo da sala de aula. Em outros, a participação dele é essencial. Cabe à escola, aos professores saber quando é importante que ele esteja em sala ou quando ele vá para um espaço mais tranquilo", completou a Edite.

Para que esse processo seja eficiente, ela ressaltou a importância do trabalho interdiscipliar, envolvendo escola, médicos, terapeutas e a participação da família. Qquanto mais tiver esse trabalho aliado de profissionais da educação, dos atendimentos de reabilitação, com a famíia, mais ganho tem a criança."

Segundo professor
A presença do segundo professor em sala de aula é uma política educacional do Estado de Santa Catarina em classes onde há alunos especiais matriculados, mas não é algo seguido por todos os municípios catarinenses. Em algumas cidades, um monitor desempenha essa atividade.

O segundo professor ou monitor, conforme a palestrante, desempenha um papel importante na inclusão e no aprendizado. Cabe a ele agir como uma espécie de mediador entre o aluno especial e os demais estudantes, corregendo a classe e apoiando o trabalho do outro professor.

Infelizmente, segundo Edite, na prática, ainda há problemas nessa relações, como quando o professor titular se coloca como professor principal e classifica o segundo professor como o professor de um aluno específico.

"O segundo professor não é menos que o professor titular, mas tem algumas salas em que era melhor não ter essa figura. Tem professores que viraram babás de seus alunos, ficam o tempo inteiro grudados neles, o que só dificulta a interação com os demais estudantes."

AEE
Edite também abordou o atendimento educacional especializado (AEE), um serviço disponbilizado no contraturno de frequencia na rede regular, com o objetivo do primeiro de
complementar ou suplementar o processo de aprendizagem de alunos a partir do primeiro ano do ensino fundamental.

"O AEE não tem que repetir as mesmas coisas que o aluno vê no ensino regular, não é susbtitutivo do ensino regular", disse. "O professor do AEE tem um papel de atender os alunos e fazer assessoria aos professores da escola. Nesse assessoramento, ele vai atuar no que é necessário para o aluno aprender melhor no ensino regular. Não é trabalhar nas dificuldades, é nas habilidades, na competência, tudo para que ele consiga raciocinar."

Neste caso, saber individualizar o atendimento também é essencial para a eficiência do processo. "Antes da deficiência, vem a pessoa, o aluno, com sua história de vida, sua individualidade, seus desejos e diferenças", disse.

Evento prossegue nesta terça (15)
Durante a tarde desta segunda, os participantes do seminário acompanharam a apresentação cultural de alunos do Colégio Auxiliadora, com a música Meu Coração, dedicada ao Dia das Mães, comemorado no domingo (13). Entre as crianças que se apresentaram, dois são autistas.

O 3º Seminário Estadual sobre Autismo tem sequência nesta terça-feira (15), com palestras focadas nos aspectos sensoriais e no uso da equoterapia. O evento é realizado pela Alesc, por meio da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, com apoio da Asca, AMA Campos Novos e Prefeitura de Campos Novos.

Marcelo Espinoza
Agência AL

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