Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina Agência AL

Facebook Flickr Twitter Youtube Instagram

Pesquisar

+ Filtros de busca

 

Cadastro

Mantenha-se informado. Faça aqui o seu cadastro.

Whatsapp

Cadastre-se para receber notícias da Assembleia Legislativa no seu celular.

Aumentar Fonte / Diminuir Fonte
26/01/2022 - 11h45min

História de superação: a longa e difícil batalha da recuperação pós-Covid

Imprimir Enviar
Luciano Turatto passou 172 dias na UTI em decorrência da Covid-19
FOTO: Rodolfo Espínola/Agência AL

Desde que a Covid-19 chegou a Santa Catarina são muitos os números de infectados, de óbitos e de recuperados da doença. Para além desses números, há muitas histórias de resistência e superação entre os catarinenses. Em Curitibanos, no Meio Oeste, o agente penitenciário Luciano Turatto, 46 anos, entrou para as estatísticas como o catarinense que enfrentou uma das mais longas batalhas contra o novo coronavírus e agora luta para se recuperar das sequelas.

Foram 188 dias de internação no Hospital Regional Hélio Anjos Ortiz, dos quais 172 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com necessidade de respiração mecânica por 115 dias. Luciano positivou para a Covid-19 em julho de 2020, mas antes chegou a fazer três testes que negativaram. Um dia apresentou febre, cansaço, feridas na boca e um quadro leve de diarreia. No dia 18 de julho, antes que saísse o resultado do exame, Luciano sentiu os sintomas se agravarem e foi hospitalizado.

O “Verdão”, como é conhecido entre os amigos, por ser fã do Incrível Hulk, um dos personagens do universo da Marvel Comics, ainda tem dificuldade de fala e locomação. Ele conta que não se lembra do período passado no hospital, somente do dia que deu entrada e de quando saiu. A alta foi comemorada com alegria e emoção por familiares, amigos e profissionais de saúde da unidade hospitalar. Por volta das 11 horas da manhã, no dia 2 de fevereiro de 2021, o corredor por onde ele saiu foi emoldurado pelos profissionais de saúde, que não esconderam a emoção ao ver Luciano indo para casa.

No período em que estava no hospital, a Covid-19 afetou com gravidade os pulmões, o fígado, rins, o coração e o cérebro de Luciano. O atestado médico informa que ele teve insuficiência renal, encefalite, 11 acidentes vasculares encefálicos (AVE), miopatia do doente crítico e úlcera de pressão no cóccix, condições que exigem cuidados de enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia na luta pela recuperação.

Os aplausos na saída do hospital compuseram uma trilha sonora para marcar o fim de uma dura batalha e o início de uma nova vida. Luciano deixou a instituição de cadeira de rodas e seguiu para casa. Uma carreata acompanhou o trajeto em comemoração. O carinho e os cuidados da família serão fundamentais no caminho até a plena recuperação, destaca a mãe dele, Alba Turatto, que atribuiu à fé religiosa a força obtida pela família nas batalhas enfrentadas pela recuperação de Luciano.

A mãe e as irmãs, Cristiane e Roseliane, acompanharam de perto o dia a dia de Luciano na unidade hospitalar. Além da fé inabalável na recuperação, destacam o trabalho incansável da equipe médica ao tratar as inúmeras complicações graves da Covid-19. “Minha mãe é tudo para mim, ela me ajudou, acreditou em mim e está sempre ao meu lado”, diz Luciano, emocionado.

Torcedor do Vasco da Gama, o agente penitenciário segue em tratamento médico quase um ano depois da alta do hospital, mas apresenta sinais de recuperação, animando amigos e familiares. “O vírus é uma coisa ruim, traiçoeira, não sei o que é, mas é ruim”, resume.  Desde a internação de Luciano, Curitibanos já registrou 196 óbitos causados pelo novo coronavírus. Considerado um exemplo de resistência, Luciano já tomou duas doses de vacina contra a Covid-19.

Indagado sobre o que pretende fazer ao se recuperar, ele afirma que quer voltar a trabalhar como agente penitenciário e dirigir carro. Destaca que o secretário de Estado Administração Prisional e Socioeducativa, Leandro Lima, e muitos colegas de trabalho na Penitenciária de São Cristóvão do Sul o visitaram e apoiam sua luta pela total recuperação. “Tanta gente não conseguiu sobreviver, eu consegui, nasci de novo, um milagre de Deus. Gosto de trabalhar e quero voltar a ter uma vida normal.”

A rotina na batalha de recuperação pós-Covid é intensa, mas com apoio da família e amigos, Luciano cumpre rigorosamente o tratamento. Nas segundas e quartas-feiras tem fisioterapeuta e fonoaudióloga; nas terças-feiras faz academia e reeducação postural global (RPG); nas quintas-feiras tem psicóloga; aos sábados vai para a academia; as sextas-feiras e os domingos são dedicados ao descanso e passeios pela região. Todos os dias ele toma seis remédios e vai ao médico periodicamente.
 

Orações diárias garantiram o retorno 
“Essa doença (covid-19) é uma lição para todos. A gente está no mundo e tem que passar por tudo, mas tem que ter persistência. Muita gente perdeu pessoas conhecidas e parentes, tem gente pior que o Luciano, ele venceu a doença. Todos devem ter humildade”, diz a mãe do paciente, que é costureira e se dedica inteiramente à recuperação do filho.

Dona Alba relata que quando Luciano foi internado e ela soube que ele seria entubado, inicialmente não ficou medo, por desconhecer a gravidade da doença. “Como rezamos o terço todos os dias, oramos pela saúde dele.” Alba sempre foi religiosa e diz que em sua casa há inúmeras imagens de santos e de Jesus Cristo. A principal devoção são as Santas Chagas de Jesus.  A família segue as orações do padre Reginaldo Manzotti. “Nós temos uma promessa feita quando ele foi internado de que assim que der vamos à missa do padre Reginaldo Manzotti.”

Alba reconhece que muitas vezes fica pensando como Deus tem dado forças a ela para cuidar de filho, que na sua avaliação, sobreviveu por milagre. “Ninguém acreditava que o Luciano iria sobreviver, os médicos e enfermeiros chegaram a falar para minhas filhas me prepararem para sua iminente morte, mas eu dizia que tinha fé em sua recuperação.” Um dia, ao ver o estado do filho na UTI, ela chegou a entregar a vida dele a Deus. “Não é fácil para uma mãe ver um filho naquele estado, e disse que se era para ele ficar sofrendo, que Deus o levasse.”

Para ajudar financeiramente na recuperação de Luciano, a mãe tem utilizado suas economias. Alguns tratamentos são custeados pelo plano de saúde e outros graças  à colaboração de amigos, que fizeram uma “vaquinha”. Sobre o futuro, Alba acredita que tudo vai melhorar. “A gente tem que ter fé, agradecer a Deus pela vida. Aqueles que perderam seus amigos e parentes devem acreditar que isso ocorreu porque chegou a hora. Tem que ter pensamento positivo.”

Mobilidade, flexibilidade, força e tônus muscular
Para recuperar a mobilidade, flexibilidade e o tônus muscular, Luciano vai duas vezes por semana à academia do Sesc em Curitibanos. Os exercícios realizados estão garantindo a sua recuperação, além de proporcionar maior interação social e emocional a ele, explica o técnico de lazer do Sesc, Daniel Rosa.

Daniel Rosa diz que não há dados concretos de quantas pessoas que sofreram com a Covid estão nas academias, mas que ocorreu uma procura maior para recuperação do tônus muscular devido à doença. ”Muitas pessoas não falam que tiveram Covid, por isso não temos números exatos.” Ele revela que a doença é um desafio para os professores.

“A doença nos trouxe esse desafio, de preparar os exercícios para pessoas que sofreram com falta de ar, mas devem utilizar máscaras. Como o treino é individualizado, é feita uma lista de exercícios atendendo a limitação de cada um.” O técnico relata no início Luciano tinha que utilizar elevador para ir à academia e, com os exercícios corretos, conseguiu melhorar sua atividade motora e muscular.

Fisioterapia neurofuncional
De acordo com a fisioterapeuta neurofuncional Elzy Pogogelski, que atende Luciano, ele é esforçado e dedicado aos exercícios, o que está garantindo a sua recuperação. “A força de vontade dele contribui muito para a evolução, e a família integrada e presente ajuda também”, descreve.

Ela conta que inicialmente Luciano não conseguia nem levantar da cama sem apoio e tinha muitas dificuldades, por isso foi preparada uma série de exercícios “grosseiros” e que hoje são mais complexos, como saltos na cama elástica. “Posso dizer que ele já está na última fase do tratamento.” Também trabalha na recuperação do Luciano, a fisioterapeuta Fernanda Beccker Zanetti, que atua com a Reeducação e Alteração Postural (RPG).

Terapia de linguagem
“A Covid ainda é para nós da saúde uma coisa muita nova. Cada pessoa reage de um jeito e o Luciano teve seus altos e baixos. Ele é um desafio, um guerreiro”, avalia a fonoaudióloga Solange Dacol Pellizzaro, que atende Luciano duas vezes por semana em sua clínica, no centro de Curitibanos. Ela trabalha na reestruturação da linguagem dele. “O Luciano ficou muito tempo na UTI entubado e a região da laringe dele ficou inerte, por isso trabalhamos reeducando a fazer aquilo que ele já fazia.”

Solange explica que inicialmente Luciano mal andava e nem falava quando saiu do hospital, mas gradativamente, com o trabalho de uma equipe, vem recuperando a mobilidade e a fala. “Tudo é um processo em que o cérebro tem que ser reeducado.” Pelo fato de o paciente ter sofrido diversos acidentes vasculares encefálicos, a fonoaudióloga diz que algumas sequelas devem permanecer, mas que com estímulos e desafios haverá avanços. “Não dá para deixar ele na zona de conforto.”

Solange avalia que Luciano tem condições de retornar a maioria das atividades normais. Ela salienta que quando o paciente chega a sua clínica é estabelecido o que é primordial para ele. “O Luciano teve que aprender a comer e beber água, inicialmente, e agora ele trabalha para ter a voz de volta.”

Saiba mais
A história do agente penitenciário Luciano Turatto, de Curitibanos, que entrou para as estatísticas como o catarinense que enfrentou uma das mais longas batalhas contra o novo coronavírus e agora luta para se recuperar das sequelas no pós-Covid, compõe a quarta reportagem de uma série produzida pela equipe da Agência AL denominada "Supera SC", que apresenta histórias de superação durante a pandemia.

Na primeira reportagem foi apresentado o caso da jornalista Marcela Lin, que transformou o luto pela morte do pai, em decorrência de Covid-19, em um livro infantil intitulado "O balão do vovô".
Confira a primeira reportagem da série:  https://agenciaal.alesc.sc.gov.br/index.php/noticia_single/o-balaeo-do-vovo-uma-historia-de-luto-e-de-amor.

Na segunda reportagem do Supera SC foi abordada a história do influenciador digital de gastronomia, Jobson Amancio, uma referência nacional nas principais mídias sociais da área, com mais de 5 milhões de seguidores. Confira a reportagem sobre Jobson no link: https://agenciaal.alesc.sc.gov.br/index.php/noticia_single/da-noite-para-o-dia-influenciador-digital-em-gastronomia.

A terceira reportagem mostrou a iniciativa da professora Andressa Ceni Lopes, que criou a personagem Doutora Pandemira. Confira a terceira reportagem da série: https://agenciaal.alesc.sc.gov.br/index.php/noticia_single/doutora-pandemira-transmite-esperanca-e-alegria-as-criancas

Voltar