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01/08/2013 - 13h57min

Médica defende biologia molecular e tratamento humanizado contra o câncer

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Doutora Nise Hitomi Yamaguchi, diretora do Instituto Avanços em Medicina, de São Paulo. Foto: Fátima Damaceno/AMUCC

A diretora do Instituto Avanços em Medicina, de São Paulo, doutora Nise Hitomi Yamaguchi, defendeu o uso da biologia molecular para definir o tratamento e a medicação mais adequados ao combate do câncer. “Prognósticos genéticos definem melhor o papel da quimioterapia, da imunoterapia e da hormonioterapia. Se não precisa e toma, o resultado é a piora do quadro”, garantiu a pesquisadora, que participou do IV Encontro Brasileiro de Portadores de Câncer, que acontece nesta quinta-feira (1º) no hotel Cambirela, em Florianópolis.

A médica explicou que parte do tratamento consiste na imunomodulação, isto é, no estímulo às células para agirem de modo certo. “Se estamos sem doença é porque o sistema imunológico está íntegro”, ensinou Nise Hitomi, acrescentando que o stress interfere no sistema imunológico.

Tratamento humanizado
Falando para enfermeiras, voluntários e portadores de câncer, Nise recomendou a humanização do tratamento. “Talvez você seja a última pessoa a falar com o paciente, talvez você seja aquela pessoa que vai mudar a vida do paciente, devolvendo-lhe a vontade de viver”, ponderou. A oncologista recomendou aos cuidadores profissionais que compreendam as limitações dos doentes, que sejam comprometidos, colaborativos, criativos, éticos, adotem atitudes positivas e sempre busquem novos conhecimentos.

Aos portadores de câncer, Nise sugeriu que não desistam da vida. “Uma paciente me perguntou: ‘Será que eu vou ver a formatura do meu filho?’ Respondi que ela tinha de pensar além, acreditar que viveria além daquele momento, mas muitas vezes as pessoas desistem de viver”, lamentou.

A experiência de São Paulo
Marisa Madi Della Coletta, diretora-executiva do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), expôs a experiência paulista de gestão de rede de atendimento aos portadores de câncer. “Decidimos trabalhar de forma integrada com os 14 hospitais referenciados no tratamento de câncer. Estabelecemos pautas comuns, como investimentos, regulação, protocolos, introdução de novos medicamentos e tecnologias”, argumentou.

Marisa descreveu uma prática adotada por um hospital paulista que permite ao cidadão diagnosticar o câncer, definir medicamentos e o melhor tratamento em 24 horas. A experiência contrasta com o dia-a-dia dos portadores de câncer catarinenses, cuja espera por consultas, exames e outros procedimentos pode levar meses e até anos.

“Conseguimos humanizar o atendimento, ainda não está como a gente quer, mas os programas estão acontecendo. Tiramos o paciente do corre-corre atrás de exames e tratamento, o que anda é o papel. Ele recebe um telefonema, que foi aceito, sua consulta é dia tal. O paciente fica desconfiado, mas aos poucos vai confiando”, declarou Marisa.

Os objetivos do encontro
O IV Encontro Brasileiro de Portadores de Câncer e do VII Encontro Catarinense da Mulher Mastectomizada objetivam reduzir o impacto da doença, empoderar o portador como ativista da causa e a auxiliar na construção de novas políticas e na melhoria das existentes.  O debate é promovido pela Associação Brasileira de Combate ao Câncer (Amucc). Mais informações podem ser obtidas através do site www.amucc.com.br.

O câncer de mama visto pela ótica das pacientes
Vou morrer? Vou perder os cabelos? Tenho que comprar peruca? Uso lenço? Vou reconstruir o seio? As perguntas são muitas, mas de acordo com Ronilda Maria Vieira, vice-presidente da Associação Brasileira de Portadores de Câncer (Amucc), após o diagnóstico positivo a paciente “só escuta a palavra câncer, nada mais entra na cabeça”.

Depois do choque do diagnóstico vem um segundo baque, causado pelo custo do tratamento. “Tenho de fazer uma cirurgia para retirar a mama e outra para recuperá-la, mas com essa conta, estou morta. No SUS é aquela fila, o convênio só paga a consulta, no mais tudo é por fora”, exemplificou.

Segundo pesquisa do laboratório Novartis, realizada entre outubro de 2012 e março de 2013, 92% das mulheres portadoras de câncer precisam adaptar seus gastos por conta do tratamento, para 61% o diagnóstico reduziu a renda e 55% cortaram gastos com itens não essenciais. “São meses e meses de dívida, nossa renda se acaba com a doença. Praticamente vivemos em função de ir ao médico e fazer exames e pagar essas contas”, declarou Ronilda.

A sexualidade das portadoras de câncer
O câncer altera a sexualidade das mulheres, inclusive diminuindo o apetite sexual. “A mulher em tratamento hormonal está de TPM todos os dias. Um monte de sentimentos se misturam. Ora faz frio, ora faz calor, nosso uniforme é o leque e o xale”, descreveu Ronilda, arrancando risos da plateia.

Diante dessa rotina, a mulher questiona o médico e obtém como resposta padrão que “as coisas são assim mesmo, que este é o preço a pagar para continuar viva”. A vice-presidente da Amucc sugeriu aos oncologistas que conversem com o casal, informando também o homem acerca das mudanças físicas e psicológicas que afetam as portadoras de câncer de mama. “Não somos só um par de mamas, queremos ser vistas integralmente, queremos informações também para o casal”, reivindicou Ronilda.

Vítor Santos
Agência AL

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