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Publicado em 19/09/2022

Passo da Santa Vitória e sua importância histórica e turística para região

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O Passo Santa Vitória foi palco de uma das batalhas da Revolução Farroupilha, com a presença de Anita Garibaldi lutando para derrubar as forças do Império

Um dos principais motivos de visitação turística para cavaleiros e outros aventureiros e motivo de inspiração para poetas e músicos, o Passo de Santa Vitória, no Rio Pelotas, localizado na Coxilha Rica, em Lages, tem dois marcos históricos de relevância. Criado em 1728 e utilizado desde muito antes pelos tropeiros que negociavam com tropas de mulas, cavalos e gado vindos do Sul em direção a Curitiba, São Paulo e Minas Gerais, o local foi palco de uma das batalhas da Revolução Farroupilha: o combate de Santa Vitória, em 1839, com a presença de Anita Garibaldi lutando para derrubar as forças do Império.

O Passo de Santa Vitória, assim como sua revitalização turística, foi tombado como patrimônio histórico de Lages, em 21 de outubro de 1993, pelo então prefeito Cósme Polese. O caminho para o transporte das mulas e gado pelos tropeiros foi iniciado em 1728, por Francisco de Souza Faria, e foi concluído precariamente, devido às dificuldades encontradas para transpor várias barreiras, rios e pântanos da Serra Geral. Cristóvão Pereira de Abreu, considerado o primeiro tropeiro que resultou no caminho das tropas "Caminho da Serra", em fins de 1731 chegou ao local com uma tropa e sem ter certeza de que o caminho estivesse bem concluído, foi examiná-lo e viu que precisava de reparos.

Depois de desistir do uso da estrada, pela incerteza da passagem com as tropas, foi pedir recursos e ajuda ao governador em Santos, retornou e partiu de Araranguá com mais de 60 pessoas e um piloto, e autorizou a passagem das várias tropas de animais que estavam aguardando. No total, somavam mais de 3 mil animais. Em seguida, ao perceber que o caminho aberto por Francisco de Souza e Faria penetrava muito na serra, resolveu melhorar o itinerário, levando nesta ação 13 meses. Quando conseguiu levar todos os animais para outro lado teria gritado “Vitória”, resultando no nome da passagem, conta a comerciante e professora aposentada, Maria Helena do Amaral, conhecida como tia Helena, que há mais de 40 anos administra “O Bodegão”, única lanchonete e restaurante na região. 

Ela explica ainda que o Rio Pelotas recebeu esse nome devido os tropeiros que atravessavam a mula-guia amarrada numa espécie de botezinho, feito com couro de boi, parecido com pelota. “Nessa “pelota” iam dois remadores, o que deu origem ao nome do rio.” Já na Revolução Farroupilha, quando Lages foi cenário de uma das batalhas mais importantes dessa guerra, no antigo Passo da Guarda, onde havia um posto de defesa do Império e por onde passavam as tropas de bois e mulas, os Farrapos em menor número que os Imperiais, e com a participação de Anita Garibaldi e Giuseppe Garibaldi e dos lanceiros negros, obtiveram vitória, o local ficou conhecido como Passo de Santa Vitória.

O local ainda é de difícil acesso e há vários animais selvagens. “Muitos turistas visitam o Passo e para descansarem e recuperarem as energias aproveitam o nosso restaurante”, destaca tia Helena. “Já servi para turistas de todo mundo e várias vezes eles ficam aqui ouvindo causos da região, que envolvem desde assombrações e lendas a fatos históricos dos primeiros tropeiros.” Tia Helena conta que nasceu na Coxilha Rica e que foi morar no Rio Grande do Sul, onde conheceu seu falecido marido, Osvaldo. Os dois voltaram para região e abriram um comércio, o “Osvaldão”. “Comecei a servir comida meio por brincadeira, o pessoal não tinha onde comer e como dava aula na escola daqui e meu marido tinha falecido resolvi atender essas pessoas.”

O “Bodegão” tem capacidade de atender até 110 pessoas e a comida típica da Serra é um dos atrativos. Tia Helena prepara a comida acompanhada de sua afilhada, Rafaela, mas quando há uma demanda maior, sua filha e genro auxiliam no atendimento dos turistas. 

Um dos causos que ela conta à noite para os visitantes é sobre a lenda da noiva. Segundo os relatos dos moradores, numa taipa próximo ao “Bodegão”, um caminhão quebrou à noite e o motorista, ao descer para o conserto do veículo, foi atacado por pedras e terra. “Como tinha morrido uma noiva no local, disseram que ela estaria jogando pedras e terra nele. Depois se desconfiou que fosse na verdade um animal que estaria no local e remexia a terra.”

Outro conto é que há na região o riacho das duas irmãs, onde, ainda no tempo dos tropeiros, teriam morrido ao tentarem dar de beber ao cavalo que as acompanhava. Uma caiu do cavalo, a outra tentou salvar e ambas morreram afogadas, com idades entre 11 e 15 anos. “Muita gente diz que nas noites de lua cheia é possível as ver brincando no riacho”, relata tia Helena.

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