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Publicado em 19/09/2022

Leis incentivam desenvolvimento do turismo em Lages

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Cavalgadas atraem visitantes do Brasil e do mundo para a Coxilha Rica.

Leis aprovadas na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) têm auxiliado no desenvolvimento do turismo e de empreendimentos em Lages, na região Serrana. Normas sobre a produção e comercialização do queijo artesanal serrano, a criação da Rota Turística Vinhos de Altitude e o Dia Estadual do Tropeiro são alguns dos exemplos.

A localidade conhecida como Coxilha Rica oferece uma sólida infraestrutura turística. São diversos hotéis fazendas, atrações turísticas rústicas e cavalgadas que atraem visitantes de todo o Brasil e do mundo para a Serra. E a previsão de novos empreendimentos é otimista.

A Serra de Santa Catarina é uma das regiões com maior potencial de desenvolvimento turístico do Brasil. Formada por vistosas montanhas, com grandes reservas de araucárias, rios, cachoeiras e algumas das quedas de águas mais altas do país, a região é reconhecida pelas baixas temperaturas e por ter sido pioneira no turismo rural nacional.

O fogo de chão é uma das heranças deixadas pelos tropeirosAo redor de um fogo de chão, na Chácara Bom Jesus, em Lages, os tradicionalistas Elizario Leandro de Souza Araújo Viera e Ramiro Amorim, acompanhados pelo gaiteiro Zezinho da Coxilha, comemoram o apoio do Legislativo catarinense para a preservação das tradições e, ao mesmo tempo, incentivo ao desenvolvimento turístico e socioeconômico de toda região.

A Chácara Bom Jesus, conta Elizario, foi fundada em janeiro de 1997 com o objetivo de promover o turismo através da cultura tradicionalista. Além de atividades rupestres, possui um restaurante de culinária típica, com destaque para o churrasco e a comida campeira, além de um pequeno museu, onde é possível encontrar objetos dos primeiros tropeiros que desbravaram a região. O local possui passeios a cavalo, charrete, e o fogo de chão, que oferece uma experiência Serrana diferenciada.

História
Os tropeiros partiam do Rio Grande do Sul ou do Uruguai levando inicialmente mulas e depois gado para São Paulo, uma viagem que levava mais de um ano, obrigando-os a parar por até dois meses para recuperar o peso dos animais. A vantagem de Lages é que a região dispõe do capim mimoso, que proporciona uma engorda de até 50 quilos para o gado em relação a outros capins encontrados pelo percurso.

Ramiro, que é compositor e pesquisador de cultura tradicionalista, salienta que a Coxilha Rica é um patrimônio histórico e cultural, e que a população local e seu modo de vida caracterizam-se pela presença de peões, caboclos e fazendeiros, muitos deles descendentes de escravos, indígenas e do colonizador paulista. “Esta diversidade cultural traduz-se, portanto, na religiosidade, nos causos, na culinária, saberes, fazeres, e evidencia o processo de ocupação do sul do Brasil”. 

Taipas, ou muros de pedra, construídos para evitar a dispersão dos animaisO local dispõe, ainda hoje, de mais de 100 quilômetros de corredores de taipa (muros de pedra) intactos, constituindo um patrimônio cultural, histórico e arquitetônico regional. Os corredores foram construídos por escravos (negros e indígenas) e peões, com o objetivo de evitar a dispersão dos animais conduzidos pelos tropeiros. A rota seguida por eles ia de Sorocaba (SP) até Viamão (RS), e Lages se constituiu, ao longo de séculos, como entreposto natural.

O fogo de chão, explicam os tradicionalistas, era e é um dos elementos mais importantes para os tropeiros. “O fogo aquece, amansa, acolhe, serve para cozinhar e era o ponto principal dos encontros dos tropeiros. Ao redor dele surgiam os causos, as canções e até as danças. O fogo de chão é a alma da casa”, descreve Elizario. “E a gaita não podia faltar, além da viola de dez a 12 cordas”, complementa Zezinho da Coxilha.

Tradição
O tropeirismo teve início no Brasil, destaca Ramiro, no início do século 18 e se prolongou até o século 20, mais precisamente até a década de 1960, quando o tropeiro foi aos poucos substituído pelo caminhoneiro. “No início, o ciclo do muar consolidou o ciclo do ouro, e o aparecimento de uma nova camada social com as profissões de ferreiro, seleiro, funileiro, domador, latoeiro, trançador e outras mais. A transformação sociocultural foi intensa e os pequenos pontos de comércio e as pousadas fizeram surgir várias cidades, exatamente a um dia de cavalgada uma da outra.”

Ele observa ainda que o comércio de animais foi fator determinante para integrar efetivamente o Sul ao restante do Brasil. Apesar das diferenças culturais entre as regiões da colônia, os interesses mercantis foram responsáveis por essa fusão e, indiretamente, pela prosperidade tanto da grande propriedade estancieira dos estados do Sul como de pequenas propriedades familiares, em regiões onde predominaram populações de origem europeia, e que abasteciam de alimentos as fazendas pecuaristas.

O tropeirismo também deixou influências na gastronomia típica da regiãoOutra importante influência dos tropeiros nos costumes culturais ocorreu naturalmente, acrescentam os tradicionalistas. "Eles deixaram sua marca, sobretudo na culinária local que, além das interferências de fora, de colonos e imigrantes, também foi influenciada pela cultura serrana e campeira. Este é o caso do feijão tropeiro, do arroz de carreteiro e, claro, do churrasco com chimarrão, influência da proximidade com os gaúchos, misturado ao uso do delicioso fruto das araucárias, o pinhão", acrescenta Elizario.
 
Mais do que uma cadeia produtiva, o tropeirismo criou uma cultura, que é amplamente cultivada até os dias de hoje na região de Lages, principalmente na Coxilha Rica. Tem influência na gastronomia, na economia, nas artes (principalmente a música e a literatura), no artesanato, no folclore e nas lendas. Para os tradicionalistas, o Parlamento catarinense tem auxiliado na preservação das tradições. “O turismo vem crescendo na região e todos os políticos devem apoiar esse desenvolvimento, apoiar a cultura de todo nosso estado, que é muito rico turisticamente”, defende Ramiro. 

Turismo rural
Pioneira do turismo rural no Brasil e com inúmeras fazendas à disposição dos visitantes. Entre as atividades oferecidas, a ordenha no período da manhã, a colheita de frutas no pomar, a pesca, as caminhadas ao ar livre e os passeis a cavalo. Para quem gosta de atividades mais radicais, destacam-se a tirolesa, o rapel, a escalada em rocha, o trekking e o arvorismo para crianças. Muitos hotéis-fazenda oferecem piscinas térmicas cobertas, cabanas e saunas.

É possível ainda apreciar a gastronomia típica da região serrana: linguiças, morcilhas, queijos, arroz de carreteiro, feijão tropeiro, churrascos e sobremesas, como as tradicionais compotas e a ambrosia. 

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