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19/06/2017 - 17h31min

Especialistas cobram mais recursos para enfrentar a depressão

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Deputados Neodi Saretta e Antonio Aguiar na mesa que comandou a audiência
FOTO: Solon Soares/Agência AL

Especialistas em saúde mental cobraram mais recursos financeiros para enfrentar a depressão, doença que atinge cerca de 11,5 milhões de brasileiros. “Precisamos de investimentos para facilitar o acesso a medicamentos e psicoterapias e para estruturar os serviços públicos. Atualmente temos meios para dar um desfecho melhor à depressão, reduzindo o impacto e dando uma condição de vida para seguir em frente”, defendeu o psiquiatra Pedro Affonso Rosar, durante audiência pública da Comissão de Saúde da Alesc, que discutiu as causas e as consequências da depressão na tarde desta segunda-feira (19), no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright.

Antonio Aguiar (PMDB), propositor da audiência pública, concordou com o especialista. “O que temos de propor aos governos municipais, estadual e federal são investimentos, todos precisam se preocupar com a depressão”, resumiu o representante da região de Canoinhas. Para o presidente da Comissão de Saúde, Neodi Saretta (PT), a situação é preocupante, uma vez que a depressão é uma das principais causas de incapacitação para o trabalho. “O deputado Aguiar foi feliz ao apresentar a proposição, temos de encontrar uma forma de amenizar o problema”, afirmou Saretta.

Marcelo Fialho, médico psiquiatra que atua na rede municipal de Florianópolis, também cobrou mais recursos. “Temos dificuldade enorme para internar, existem pouquíssimos leitos, estamos muito atrás de outros estados na questão de internação, emergência, laboratórios especializados, temos faltas em todos os pontos”, relatou o psiquiatra.

Segundo Fialho, a situação é agravada pela falta de um centro de Atenção Psicossocial 3 (CAPs 3) na Grande Florianópolis. “O CAPs 3 faz muita falta, temos projeto, mas não temos financiamento, a União repassa de incentivo um terço do que o serviço realmente custa, então os municípios arcam com tudo, porque a Secretaria de Estado da Saúde [SES] não repassa um centavo para a saúde mental. Para abrir um CAPs o município tem de custear dois terços", descreveu Fialho, que lamentou a repetição da situação ano após ano. “O orçamento da saúde mental é o último, sempre.” 

SC em segundo lugar
De acordo com a psicóloga Anita Bacellar, os estados do Sul lideram os casos de depressão. “São os estados do Sul que têm os maiores índices registrados. Santa Catarina detêm a segunda maior incidência”, informou a especialista, explicando em seguida que a doença atinge todas as faixas etárias. “Os depressivos sofrem pelo sentimento de incapacidade, pela sensação de impotência, pela falta de força para fazer algo.”

De acordo com Anita, as mudanças de humor, o cansaço, as dores no corpo e a falta de prazer são característicos do quadro depressivo. “É uma incapacitação que toma conta e tira as forças, é um cansaço físico que dói na ‘alma’, dói do fio de cabelo ao dedão no pé. Por isso, é preciso reconhecer o esforço absurdo que a pessoa tem de fazer para dar cabo de uma coisa pequenininha, como pegar um copo de água”, exemplificou.

A psicóloga destacou a perda do prazer. “Perdem o prazer pela vida, parece estranho para quem não é depressivo, parece que não faz sentido, mas se colocarmos todas as sensações dentro de nós, também vamos nos perguntar se vale a pena”, argumentou Anita Bacellar, acrescentando que a depressão é uma das principais causas de suicídio.

Além disso, a psicóloga alertou para a dependência dos outros. “Eles acreditam por um tempo que a saída da vida deles somos nós, não como facilitadores, mas que vamos fazer as coisas por eles, como ir ao médico, arrumar um trabalho. Ficamos compadecidos e fazemos, mas ao fazermos algo estamos desacreditando-os mais ainda, então afundam mais na dor e assentam na cadeira da incapacidade”, justificou.

Necessidade de diálogo
Anita Bacellar sugeriu o diálogo como ferramenta terapêutica. “Se tem algo que pode ajudar a devolver a capacidade perdida é dar espaço para falarem de si, porque param de falar, e quanto menos falam, menor a possibilidade de saírem do mundo pessimista, por isso a importância da conversa com familiares, com amigos, não podemos deixar eles se enclausurarem. Sou adepta de qualquer medida que promova este diálogo”, revelou a psicóloga.

Um mundo em tons de cinza
De acordo com Anita Bacellar, os depressivos veem o mundo em tons de cinza. “Eles não veem mais o colorido, as cores vão desaparecendo, por isso a importância de acrescentar um verde, um amarelo, um vermelho, integrando ao cinza algumas cores talvez a pessoa não fique deprimida como antes”, comparou a psicóloga, que destacou a necessidade de ajudar o depressivo a corrigir percepções. “É um trabalho árduo, mas tem de ser o desejo deles, se eles não derem permissão e estenderem a mão, não há como superar.”

Vítor Santos
Agência AL

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