Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina Agência AL

Facebook Flickr Twitter Youtube Instagram

Pesquisar

+ Filtros de busca

 

Cadastro

Mantenha-se informado. Faça aqui o seu cadastro.

Whatsapp

Cadastre-se para receber notícias da Assembleia Legislativa no seu celular.

Aumentar Fonte / Diminuir Fonte
20/11/2013 - 12h57min

Seminário debate impactos da transgenia na economia, no ambiente e na saúde pública

Imprimir Enviar
Seminário Produção Contemporânea de Alimentos - Palestrante Rubens Onofre Nodari. Foto: Leonardo Gonçalves/Agência AL

A transgenia surgiu como uma promessa para resolver o problema da fome do mundo, reduzir o uso de agrotóxicos e controlar pragas sem efeitos adversos à saúde humana e ao meio ambiente. No entanto, o doutor em Genética Rubens Onofre Nodari, professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), apresentou evidências para comprovar que essas expectativas não se confirmaram e que o uso da tecnologia provocou impactos negativos de difícil resolução. O assunto foi abordado na palestra que abriu hoje (20) as atividades do Seminário Internacional sobre “A produção contemporânea de alimentos para a humanidade: impasses e desafios II”, realizado no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, no Palácio Barriga Verde.

O evento é promovido pelo Laboratório de Educação do Campo e Estudos da Reforma Agrária (Lecera) da UFSC, com apoio da Assembleia Legislativa de Santa Catarina e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

“Se fizermos um balanço, percebemos que a transgenia tem mais efeitos negativos do que positivos”, afirmou Nodari, que atua há mais de 20 anos na área de biossegurança de organismos geneticamente modificados (OGM).  “Paralelamente ao não-cumprimento das promessas difundidas, temos consequências que trazem problemas maiores do que tínhamos antes da introdução da tecnologia. Por exemplo: quando temos plantas resistentes a herbicidas, como vamos controlá-las no futuro? Quando temos pragas que não morrem quando comem toxinas, como vamos nos livrar delas?”, questionou.

O professor baseou-se em diversos estudos realizados em todo o mundo que comprovam que a maioria das promessas relacionadas aos transgênicos não se sustentam. “Apenas uma se confirma: a facilitação do manejo. Por outro lado, o custo de produção aumentou, a quantidade de grãos não cresceu da forma como se esperava, o uso de agrotóxico não diminuiu, o número de pragas não foi reduzido. Os transgênicos representam riscos ao meio ambiente e à saúde humana”.

O Brasil é hoje o segundo maior produtor mundial de transgênicos, atrás apenas dos Estados Unidos. Para Nodari, o único setor que lucra com a transgenia são as empresas desenvolvedoras da tecnologia. “Para os agricultores continua igual ou ficou pior. Além disso, os consumidores têm acesso a alimentos de pior qualidade, o ambiente está cada vez mais envenenado e vamos ter cada vez mais problemas de doenças”, ressaltou.

A primeira pesquisa de longo prazo, feita por pesquisadores da Universidade de Caen, na França, revelou que ratos alimentados com milho geneticamente modificado apresentaram tumores e morreram mais rápido do que as cobaias que comiam milho normal sem herbicida. O estudo, publicado no Food and Chemical Toxicology Review, acompanhou os animais por 24 meses. “Os tumores começaram a aparecer no quarto mês nos machos e no sétimo mês nas fêmeas. Enquanto isso, os testes para aprovar transgênicos costumam exigir apenas três meses”, destacou Nodari.


 
Um estudo realizado no Canadá demonstrou que resíduos do herbicida glifosato e das toxinas Bt (com função inseticida) foram encontrados no sangue de mulheres não grávidas, grávidas e fetos. “Estamos vivendo uma época em que pessoas que não estão nascidas já estão expostas e as futuras mães nem imaginam. É mais uma incerteza, pois não sabemos o que vai acontecer com essas crianças”.

A transgenia, definida como a “tecnologia que emprega modificação genética precisa, específica e racionalmente desenhada para alcançar um objetivo de engenharia”, foi duramente questionada por Nodari. “Não temos nenhuma planta transgênica que tenha exatamente o que foi preparado no laboratório. Não sabemos onde esses pedaços de DNA vão entrar no genoma. Não temos controle sobre a transformação genética e sobre aquilo que vamos obter. Pequenas modificações podem causar grandes efeitos adversos e não conseguimos prever o que vai acontecer”, salientou.

Ludmilla Gadotti
Rádio AL

Voltar