CCJ acata projeto que garante permanência de acompanhante de paciente com autismo
Pacientes com transtorno do espectro autista (TEA) que estiverem internados em unidades de terapia intensiva (UTI), em situação de pré e pós-operatório, devem contar com o direito a um acompanhante durante o período de internação. É o que prevê o Projeto de Lei (PL) 491/2024, que na manhã desta terça-feira (25) recebeu parecer pela admissibilidade da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A proposta, de autoria do deputado Jessé Lopes (PL), também prevê o mesmo direito a pacientes autistas em exames ambulatoriais e em tratamento odontológico nos hospitais públicos e privados vinculados ao Sistema Único e Saúde.
Em seus votos, os deputados que integram a CCJ seguiram o entendimento apresentado pelo relator, deputado Alex Brasil (PL), de que o projeto somente adéqua a legislação estadual ao que já é previsto no artigo 22 da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. O relator também apresentou emenda substitutiva global para adequação do texto à técnica legislativa.
Com a decisão, o projeto segue para as comissões de Finanças e Tributação; de Direitos Humanos e Família; de Saúde; e dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Regime remuneratório das categorias militares
Outro destaque da reunião da CCJ foi a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLC) 2/2025, do governo do Estado, que prevê o direito de adesão dos integrantes das corporações militares ao Regime Remuneratório Especial dos Militares Estaduais, instituído pela Lei Complementar 765/2020, com a uniformização remuneratória decorrente da incorporação do instituto jurídico denominado ‘grau acima’.
Conforme a exposição de motivos enviada pelo Executivo, a iniciativa pretende corrigir “distorção remuneratória” existente entre parcela dos servidores, ao permitir que todos se vinculem a um regime remuneratório considerado “mais benéfico”.
No parecer aprovado, o relator, deputado Pepê Collaço (PP) argumentou pela constitucionalidade e pelo interesse social da proposta.
“O projeto não apresenta vícios e, no mérito, corrige discrepância salarial entre militares estaduais em postos de graduações equivalentes. A iniciativa contribui para a isonomia no âmbito das corporações, confere segurança jurídica aos interessados e valoriza os profissionais que atuam em prol da segurança pública catarinense”, disse.
Antes de ir a plenário a matéria ainda será analisada pelas comissões de Finanças; e de Trabalho, Administração e Serviço Público.
Suspensão de licença ambiental
A CCJ manifestou-se favoravelmente ao PL 101/2024, de autoria da deputada Ana Campagnolo (PL), que suspende a exigência de qualquer licença ambiental para a atividade de mineração em solo catarinense na hipótese de declaração de Estado de Calamidade Pública.
Pela proposta, a vigência da suspensão se dará na data de início da declaração do Estado de Calamidade Pública, e perdurará até 120 dias após o término do prazo de vigência do ato.
Na justificativa que acompanha o projeto, a autora argumenta que a medida permitirá que as empresas de mineração “priorizem medidas de emergência para proteger vidas, propriedades e o meio ambiente”.
A aprovação seguiu o parecer favorável do deputado Pepê Collaço, tornando a matéria apta a seguir tramitando nas comissões de Trabalho; de Turismo; e de Defesa Civil e Desastres Naturais.
Ofensa à religião cristã
A deputada Ana Campagnolo também contou com a aprovação do PL 22/2025, de sua autoria, que altera a Lei 18.629/2023 - que proíbe o vilipêndio de dogmas e crenças relativas à religião cristã - para ampliar e especificar as definições de ofensa à religião e as penalidades aplicáveis.
Entre as condutas descritas estão: o uso de figuras centrais do cristianismo de maneira incompatível com os valores da dignidade, respeito e reverência que lhes forem historicamente atribuídos; o emprego desrespeitoso dos elementos litúrgicos, ritos e objetos sagrados da fé cristã em contexto contrário a sua finalidade original; a realização de manifestações ou performances em espaços públicos ou privados adjacentes a templos religiosos que tenham como resultado a profanação ou intimidação de práticas ou símbolos religiosos.
O relator, deputado Alex Brasil apresentou emenda para retirar do projeto trecho que prevê como punição pelas práticas, no caso de acontecer durante a realização de evento patrocinado pelo poder público, a devolução das verbas recebidas.
Conforme o parlamentar, o dispositivo é inconstitucional por não haver previsão de que norma estadual imponha regras sobre a devolução de verbas provenientes de programas federais e municipais.
O projeto segue para as comissões de Finanças; e de Direitos Humanos e Família.
Meia-entrada para mesários
Foi aprovado o PL 364/2024, de autoria do deputado licenciado Emerson Stein (MDB), que institui a meia-entrada para eleitores nomeados como mesários em processos eletivos.
Conforme o projeto terá o direito o mesário que tiver comprovadamente atuado em eleições gerais ou municipais, plebiscitos e referendos, em primeiro e em segundo turno. O benefício equivale ao pagamento de 50% do valor do ingresso em estabelecimentos e/ou casas de diversões, praças esportivas e similares, que promovam espetáculos de lazer, entretenimento e difusão cultural, tendo validade de dois anos, a contar do implemento dos requisitos para sua obtenção.
A aprovação seguiu o voto do relator, deputado Volnei Weber (MDB), de que a proposta se insere na competência dos estados em legislar sobre o tema Direito Econômico.
Os deputados Matheus Cadorin (Novo) e Alex Brasil apresentaram voto contrário ao projeto, que segue em análise nas comissões de Finanças; de Trabalho; e de Economia, Ciência, Tecnologia e Inovação.
Disponibilização do sinal wi-fi
Também de autoria de Emerson Stein e a relatoria de Volnei Weber, foi aprovado o PL 369/2024, que determina a disponibilização de rede sem fio (wi-fi) gratuita, aos usuários que realizem espera ou atendimento em hospitais públicos e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do estado.
A aprovação aconteceu por maioria, com voto contrário do deputado Alex Brasil. Na sequência, o texto será enviado para as comissões de Finanças; de Trabalho; dos Direitos do Consumidor e do Contribuinte e de Legislação Participativa; e de Saúde.
Merenda escolar
A CCJ também emitiu parecer favorável ao PL 3/2025, de autoria do deputado Matheus Cadorin, que determina que o palmito juçara passe a integrar a merenda escolar da rede estadual de ensino, com o produto devendo ser adquirido, pelo governo do Estado diretamente da agricultura familiar, da economia popular solidária, e dos empreendimentos familiares rurais de Santa Catarina.
O relator, deputado Fabiano da Luz (PT), acolheu emenda do próprio autor da matéria, para que o palmito juçara seja substituído pela polpa da palmeira e seus derivados. Fabiano também apresentou subemenda modificativa para adequação redacional do projeto.
O PL 3/2025 também está na pauta das comissões de Finanças; de Agricultura e Desenvolvimento Rural; e de Educação e Cultura.
Caminho dos Príncipes
Por unanimidade de votos, foi aprovado o PL 44/2025, que institui a Rota Turística Religiosa Caminho dos Príncipes, abrangendo os municípios de São Francisco do Sul, Araquari, Joinville, Guaramirim, Jaraguá do Sul, Corupá, São Bento do Sul, Rio Negrinho, Itaipólis e Mafra.
Na condição de autor do projeto, o deputado Maurício Peixer (PL) estabeleceu como objetivos da rota “promover, divulgar e fomentar a cultura local, o turismo e a religiosidade”, com base nas “vocações turísticas, econômicas, gastronômicas e religiosas da região”.
O projeto, que ainda será analisado pela Comissão de Turismo, recebeu do relator, deputado Pepê Collaço, uma emenda visando promover adequações à técnica legislativa.
Dia do Contador do Setor Público
Foi aprovado ainda o PL 560/2024, de autoria da deputada Paulinha (Podemos), que institui o Dia Estadual do Contador do Setor Público, a ser celebrado, anualmente, no dia 8 de novembro.
A matéria, que contou com a relatoria do deputado Mauro De Nadal (MDB), segue em análise na Comissão de Trabalho.
Vetos do governo
A CCJ também encaminhou para o plenário quatro Mensagens de Veto (MSV) do governo a projetos de lei aprovados pela Assembleia Legislativa. Três delas com pareceres pela manutenção dos vetos e um pela rejeição.
MSV 281/2023, com veto total ao PL 252/2021, de autoria da deputada Paulinha, que estabelece normas para comprovação de residência no estado.
Relator: deputado Matheus Cadorin. Parecer: manutenção.
MSV 397/2024, com veto total ao PL 229/2023, de autoria do deputado Volnei Weber, que propõe alterações na Lei 13.516/2005, que dispõe sobre a exploração da utilização e da comercialização, a título oneroso, das faixas de domínio e das áreas adjacentes às rodovias estaduais e federais delegadas ao Estado, por empresas concessionárias de serviço público, por empresas privadas ou por particulares.
Relator: deputado Mauro De Nadal. Parecer: manutenção, com voto contrário do deputado Rodrigo Minotto (PDT).
MSV 793/2024, com veto total ao PL 259/2021, de autoria do deputado Marcius Machado, que altera a Lei Complementar 204/2001, que cria o Fundo Estadual de Sanidade Animal, para acrescentar a indenização pelo abate de animais por leão-baio.
Relator: deputado Alex Brasil. Parecer: manutenção, com votos contrários dos deputados Marcius Machado, Fabiano da Luz e Rodrigo Minotto.
MSV 69/2023, com veto total ao PL 365/2022, de autoria do deputado Neodi Saretta (PT), que cria o Fundo Estadual de Combate ao Câncer.
Relator: deputado Camilo Martins (Podemos). Parecer: rejeição.
AGÊNCIA AL