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12/04/2016 - 14h04min

Associações de Agroturismo Acolhida na Colônia criam federação catarinense

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Leitura da carta com as reivindicações da entidade FOTOS: Luis Gustavo Debiasi/Agência AL

O ato de constituição da Federação Catarinense das Associações de Agroturismo Acolhida na Colônia marcou a 6ª edição do seminário estadual promovido pela entidade. O evento foi realizado nesta terça-feira (12), no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, na Assembleia Legislativa.

A Acolhida na Colônia é uma associação de agricultores familiares que desenvolvem atividades de turismo nas propriedades rurais como forma de compartilhar com os visitantes seus conhecimentos e modo de vida. O projeto envolve 120 famílias no estado, com ações voltadas ao turismo sustentável, ao cultivo de alimentos sem agrotóxicos e ao desenvolvimento econômico da agricultura familiar.

O objetivo da criação da federação é dar continuidade ao processo de fortalecimento, visibilidade e projeção da Associação Acolhida na Colônia, iniciativa que começou em 1999, no território das encostas da Serra Geral de Santa Catarina, tendo o município de Santa Rosa de Lima como sede.

A proposta é avançar no fortalecimento de mecanismos de gestão social e inovar na concepção de desenvolvimento rural sustentável. "A partir de agora, as cinco associações regionais existentes [Encostas da Serra Geral, Serra Catarinense, Vale dos Imigrantes, Vale das Tradições e Vale das Nascentes] serão orientadas pela federação, que terá uma atuação estadual", disse a coordenadora da regional Encostas da Serra Geral, Rosângela Bonetti Vanderlinde. "Vai ajudar na organização, pois hoje cada regional trabalha muito no seu território. Hoje temos muitas demandas que as regionais não conseguem atender. Precisamos de um órgão para gerenciar questões como políticas públicas necessárias ao desenvolvimento do agroturismo, a expansão da Acolhida na Colônia, além de auxiliar o trabalho das associações", acrescentou a agricultora familiar de Santa Rosa de Lima.

Temas em debate
O 6º Seminário Estadual da Acolhida na Colônia promoveu debates sobre os impactos positivos do Programa SC Rural, a expansão do turismo rural em Santa Catarina e a Lei do Microempreendedor Rural. No evento também foi apresentado um resgate histórico dos avanços e desafios da Acolhida na Colônia, com destaque para casos de sucesso do projeto.

De acordo com Rosângela, quatro projetos da Acolhida na Colônia receberam recursos via SC Rural. "O montante foi cerca de 5 milhões de reais para investimentos em melhorias na infraestrutura das propriedades, criação de atrativos e divulgação do projeto. Uma das nossas maiores dificuldades é acesso ao crédito. Com o SC Rural, muitos agricultores tiveram como organizar a propriedade e ter um retorno muito maior. Mudou muito a vida dos agricultores e dos municípios que trabalham com o agroturismo."

Na avaliação do diretor de Projetos Especiais do SC Rural, Ditmar Alfonso Zimath, é imprescindível discutir novas políticas públicas voltadas ao setor, pois o programa do governo estadual tem encerramento previsto para 30 de setembro deste ano. "Precisamos debater um caminho para dar continuidade a políticas públicas de apoio a empreendimentos da agricultura familiar nas mais diversas frentes de trabalho. É necessário criar condições para que o ambiente rural seja mais favorável ao empreendedorismo, à geração de renda, a oportunidades."

Um dos principais resultados conquistados com o trabalho de 17 anos da Acolhida na Colônia, segundo a engenheira agrônoma Daniele Lima Gelbcke, é a valorização da agricultura familiar. "Percebemos a melhoria da autoestima e da qualidade de vida dos envolvidos. O projeto também é uma alternativa de renda na propriedade, estimula a conversão para a agroecologia, possibilita a venda direta dos produtos, com agregação de valor. Além disso, representa oportunidades como capacitações, intercâmbios e aquisição de conhecimentos, especialmente para mulheres e jovens do meio rural."

Participante da Acolhida na Colônia há seis anos, a agricultora Luzia Cuzik, proprietária do Sítio Vida Nova, no município de Presidente Nereu, evidenciou a oportunidade de manter a família no campo e oferecer uma experiência diferenciada aos turistas. "O agroturismo representa hoje mais de 80% da renda na nossa propriedade. Mantemos a originalidade do projeto, que é hospedar em nossa casa. Recebemos o visitante como se fosse alguém da família, estabelecendo uma relação de confiança. Recebemos, em média, 80 hóspedes ao mês e já temos reservas até outubro do ano que vem."

Princípios que orientam o trabalho da Acolhida na Colônia

  • O agroturismo é parte integrante das atividades do estabelecimento rural e se constitui num fator de desenvolvimento local;
  • Os agricultores desejam compartilhar com os turistas o ambiente onde vivem, sendo que a recepção e convívio dos mesmos deve ocorrer num clima de troca de experiência e respeito mútuo;
  • O agroturismo deve praticar preços acessíveis;
  • Os serviços agroturísticos são planejados e organizados pelos agricultores familiares, que garantem a qualidade dos produtos e serviços que oferecem.
  • Deve causar baixo impacto ambiental e fomentar a produção orgânica

 

Reivindicações
A “Carta da Acolhida na Colônia”, documento apresentado pelos associados durante o evento, recomenda ao poder público propostas de políticas e estratégias indutoras de desenvolvimento rural e territorial sustentável e solidário.

·  formular política estadual de estímulo ao desenvolvimento do agroturismo

regulamentar a Lei TRAF/SC (que estabelece a política de apoio ao Turismo Rural na Agricultura Familiar de Santa Catarina) e edição de normativas específicas que possam suprir a inexistência de arcabouço jurídico, fator limitante ao desenvolvimento da atividade, em particular no que se refere às questões fiscal, tributária e sanitária;

  • formular e executar plano territorial de melhoria da infraestrutura dos pequenos municípios catarinenses que desenvolvem agroturismo, priorizando a manutenção das estradas rurais e sinalização;
  • criar meios para a disseminação de internet nas comunidades rurais de modo a fortalecer os negócios advindos com as atividades agroturísticas;
  • dispor de programa de financiamento de equipamentos de informática para propriedades rurais e capacitação dos agricultores para uso dos mesmos;
  • incorporar na política estadual de assistência técnica e extensão rural ações visando o desenvolvimento agroturístico;
  • incorporar no Programa SC Rural o apoio a propriedades rurais em estágio inicial de desenvolvimento;
  • oportunizar capacitação continuada de agricultores familiares em agroturismo;
  • apoiar estratégias de comercialização dos produtos turísticos do agroturismo, com atenção especial aos pequenos municípios de Santa Catarina;
  • incorporar na política estadual de turismo o desenvolvimento de programa de apoio ao agroturismo pedagógico e implantação de circuitos de cicloturismo nas comunidades rurais como estratégia de segmentação turística de modo a ampliar e diversificar o fluxo visitante.

O agricultor familiar e integrante da equipe técnica da Acolhida na Colônia, Sebastião Vanderlinde, destacou a necessidade de aprovação na Assembleia Legislativa do  projeto de lei do Microempreendedor Rural. "É importantíssima para a agricultura familiar, principalmente para o desenvolvimento do agroturismo, em especial para quem está em estágio inicial. Vai permitir que se emita nota com isenção tributária. Hoje, dependendo do caso, temos 17% de impostos, o que inviabiliza a atividade."

Ludmilla Gadotti
Rádio AL

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