11/05/2010 - 19h09min
Assembleia debate bullying escolar
Teve início nesta terça-feira (11), no auditório Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa, a primeira palestra do Programa de Combate ao Bullying Escolar, violência que muitas vezes é confundida com simples brincadeira. O evento, promovido pela Escola do Legislativo e Ministério Público, deve percorrer ainda as cidades de Itajaí, Joinville, Lages e Criciúma.
De acordo com pesquisa feita em 2009 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Pesquisas e Estatística), 30,8% dos alunos entrevistados declararam já terem sofrido o problema, que ocorre mais nas escolas privadas (35,9%) do que nas públicas (29,5%).
Derivado da Lei nº 14.651/2009, de autoria do deputado Joares Ponticelli (PP), o programa visa fomentar o debate sobre bullying escolar, ampliando o conhecimento sobre o tema e refletir sobre maneiras de prevenir sua prática, através de uma educação para a cultura da paz.
Para Ponticelli, que já foi professor de carreira, bullying é um nome novo para um problema antigo. “Convivíamos com a prática, que não conseguíamos dimensionar a amplitude. Hoje sabemos que pode gerar queda no rendimento escolar, depressão e até morte.” Ele citou o caso da filha do imperador do Japão, que aos nove anos de idade deixou de freqüentar a escola por depressão decorrente da perseguição sofrida aos colegas de escola.
Para o deputado, que também é presidente da Escola do Legislativo, a grande virtude do programa é ampliar o debate sobre o problema. “Atualmente, mais de 50 municípios do estado já estão debatendo e apresentando projetos referentes ao bullying, prática que é um dos nascedouros da violência na sociedade.”
Cléo Fante, vice-presidente do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre Bullying Escolar e autora de dois livros sobre o assunto, destacou que há a necessidade de diferenciar o bullying de outras formas de violência. “No bullying há a intenção de causar danos, com desequilíbrio de poder e ausência de motivos, com prejuízos para a educação e saúde. Somente entendendo o problema, que é bastante distinto, poderemos atacar suas fontes”, explica.
Segundo a educadora, recente no Brasil, o estudo do bullying há muito vem sendo realizado em outros países, como a Suécia, que há 40 anos desenvolve trabalhos na área. A violência, segundo Cléo, que pode manifestar-se em crianças já a partir dos três anos, deve ser visto como uma preocupação constante por parte dos governos. “Não se aprende com medo. Se há perseguições, humilhações, o aluno muitas vezes acaba desistindo da escola, aumentando os índices de evasão escolar ou gerando traumas duradouros que afetam a formação da personalidade do indivíduo”.
Priscila Linhares, coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude do Ministério Público estadual, afirmou que o órgão constatou que muitos casos escolares que poderiam ser resolvidos na própria escola, estavam indo parar nas mesas dos promotores de justiça.
Visando resolver o problema, o MP associou-se ao programa, elaborando uma série de materiais didáticos, como folders, cartilhas, gibis e marcadores de páginas, destinados aos alunos, familiares e responsáveis pelas unidades escolares catarinenses. “Precisamos nos valer da campanha para passar a mensagem de que a prática do bullying não é algo saudável, nem é um ritual de passagem, mas algo sério, que tem consequências”, finalizou. (Alexandre José Back/Divulgação Alesc)