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06/10/2025 - 18h14min

Seminário destaca a importância das plantas alimentícias não convencionais

Variações culinárias com espécies pouco conhecidas enriquecem hábitos nutricionais e valorizam saberes populares em Santa Catarina
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FOTO: Daniel Conzi/Agência AL

Encontro discutiu ganhos nutricionais
A divulgação de conhecimentos sobre as chamadas Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) foi o tema de um seminário realizado nesta segunda-feira (6), no Plenarinho Paulo Stuart Wright, em alusão ao Dia Internacional da Alimentação Saudável (16/10).

A iniciativa do deputado Padre Pedro Baldissera (PT) reuniu especialistas e entusiastas do tema, valorizando o potencial dessas plantas em enriquecer dietas, especialmente para populações de baixa renda, com redução de custos e ganhos nutricionais.

Padre Pedro é o autor do Projeto de Lei 537/2025, que institui a Política Estadual de Incentivo ao Cultivo, Pesquisa, Utilização e Comercialização das Pancs, com enfoque prioritário na valorização gastronômica. A proposta prevê a incorporação dessas plantas nas merendas escolares da rede estadual, promovendo educação alimentar e sustentabilidade.

“Temos que aproveitar esses alimentos, que a natureza nos dá de graça”, afirmou o parlamentar.

O evento contou com a presença do superintendente regional do Ministério do Desenvolvimento Agrário, José Fritsch.

Plantas indicadoras, conhecidas e subutilizadas
Cinco expositores abordaram a importância das Pancs e da chamada alimentação viva, com discussões sobre soberania alimentar e plantas medicinais.

Os participantes também estiveram em uma oficina de degustação de Pancs, conduzida pela nutricionista Clea Bregue Daniel.

A pesquisadora Denise Rodrigues destacou a importância das chamadas “plantas indicadoras” — espécies espontâneas e comestíveis amplamente conhecidas, mas subutilizadas na culinária convencional.

Essas plantas, encontradas em quintais e terrenos baldios, são ricas em nutrientes, resistentes a pragas, de baixo custo de produção e podem fortalecer a segurança alimentar e nutricional, além de contribuir para a sustentabilidade ambiental.

Transmissão de conhecimento geracional
O uso das Pancs promove uma alimentação mais sustentável, valoriza o saber popular e reforça programas de combate à fome. Seus cultivos podem gerar renda para agricultores familiares e incentivar a preservação da biodiversidade.

Essas plantas rústicas se adaptam a diversas condições de solo e clima, exigem poucos insumos e podem ser cultivadas até em ambientes urbanos.

A pesquisadora Juliana Amaral, especialista em alimentação viva pela Fiocruz, destacou que o consumo de alimentos naturais e não processados melhora a saúde e o bem-estar, ao mesmo tempo em que preserva o meio ambiente.

Ela alertou para os riscos dos alimentos ultraprocessados e do uso excessivo de agrotóxicos, que, segundo ela, podem estar relacionados ao aumento de transtornos como autismo e TDAH.

Diversificação e hortas urbanas
A enfermeira e produtora rural Noeli Pinheiro apresentou técnicas para incluir Pancs nas hortas domésticas e urbanas. Entre as espécies mais conhecidas, destacou: ora-pro-nóbis, mangarito, capuchinha, moringa, vinagreira, cariru, taioba, folhas de beterraba e flores de abóbora.

Experiência em culinária hoteleira
A coordenadora pedagógica da Escola de Turismo e Hotelaria da CUT em Florianópolis, Aline Salami, relatou experiências com trabalhadores e alunos no cultivo de hortas e Pancs, promovendo diversidade e troca de saberes.

Essas práticas também são aplicadas no Hotel Canto da Ilha, na Cachoeira do Bom Jesus, onde as Pancs são utilizadas em receitas e cardápios da cozinha local.

A importância das plantas medicinais
O naturalista Alesio dos Passos Santos, servidor aposentado da Alesc e conhecido como “bruxo das plantas”, apresentou uma exposição sobre espécies medicinais.

Entre elas, destacou a espinheira santa, símbolo da medicina tradicional catarinense conforme a Lei 15.674/2011, consolidada pela Lei 17.308/2017, de autoria do deputado Padre Pedro.

A planta é usada para tratar problemas gastrointestinais como gastrite, úlceras, má digestão e azia, devido à sua ação protetora e cicatrizante da mucosa gástrica. Também alivia gases, combate a bactéria H. pylori, e possui efeito diurético e propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.


Perguntas Frequentes

1) O que são as Pancs?
Plantas com potencial alimentício fora do hábito; muitas são espontâneas, nutritivas e de baixo custo.

2) Quais são alguns exemplos?
Ora-pro-nóbis, taioba, moringa, mangarito e capuchinha; fáceis de cultivar em hortas domésticas.

3) Qual é o objetivo do PL 537/2025?
Instituir a Política Estadual de Incentivo às Pancs (cultivo, pesquisa, uso e comercialização), priorizando merenda escolar e educação alimentar.


Pedro Schmitt
Agência AL

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