Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina Agência AL

Facebook Flickr Twitter Youtube Instagram

Pesquisar

+ Filtros de busca

 
Assistir
14:00 Sessão Ordinária
Ao vivo

Cadastro

Mantenha-se informado. Faça aqui o seu cadastro.

Whatsapp

Cadastre-se para receber notícias da Assembleia Legislativa no seu celular.

Aumentar Fonte / Diminuir Fonte
05/02/2019 - 12h08min

Seminário reúne 600 profissionais da educação da Região Oeste

Imprimir Enviar
Evento foi realizado no Centro de Cultura e Eventos Plinio De Nês, em Chapecó
FOTO: Solon Soares/Agência AL

Cerca de 600 profissionais da educação participam desde a manhã desta terça-feira (5) do Seminário Estadual de Formação Continuada de Professores da Região Oeste em Chapecó, nas dependências do Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo De Nês. Além de palestras com especialistas na Base Nacional Curricular Comum (BNCC), os participantes terão a oportunidade de acompanhar mesas temáticas e oficinas específicas para professores.

O seminário é organizado pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) em conjunto com a Assembleia Legislativa de Santa Catarina, a Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, Sinte e Associação dos Municípios do Oeste de Santa Catarina (Amosc). Prefeitura de Chapecó e Unochapecó também apoiam o evento.

Na manhã desta terça, as palestras focaram principalmente a BNCC e sua aplicação no cotidiano do ensino. O professor William Simões, do Programa de Formação Continuada “Caminhos da Praxis” da UFFS, expôs a iniciativa desenvolvida com 166 escolas dos municípios da Amosc na elaboração de uma estratégia para a aplicação da BNCC nessas unidades escolares, respeitando as particularidades de cada município.

“A base não é currículo. Quem vai colocar em prática isso somos nós, por isso estamos desenvolvendo esse trabalho na área da Amosc, respeitando a particularidades, dialogando com a BNCC. A participação de todos nesse processo é importante”, comentou.

A professora Leonice Mourad, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), também ressaltou que a BNCC possibilita que as escolas pensem seus currículos levando-se em consideração suas realidades.

“A BNCC não é a totalidade, como alguns consideram. Ela é o apoio, o suporte. Nosso desafio se dá a partir de um conjunto de atores, de diferentes orientações, valorizando as diversidades de saberes e vivências culturais. O desafio é como sistematizar isso, de forma que os diferentes possam partilhar de um conjunto de oportunidades similares”, afirmou Leonice.

Avaliação e aprendizagem
O professor Elcio Cecchetti, da Unochapecó, tratou do tema Avaliação Formativa, com o objetivo de discutir métodos de avaliação que realmente se preocupem com o aprendizado dos alunos e não apenas com aprovação ou reprovação dos mesmos. “Há uma falsa crença que provas e exercícios avaliam aprendizagem, mas não medem capacidade de síntese, de analisem de argumentação, de fazer relações”, disse.

Conforme ele, a avaliação formativa consiste na elaboração de critérios de aprendizagem, definição de instrumentos para diagnóstico do processo de aprendizagem e estabelecimento de estratégias de intervenção nesse processo. “É necessário identificar o que os alunos aprenderam e o que ainda não conseguiram apropriar. Só que a avaliação não é um problema de uma pessoa. Requer cuidados e planejamento de todo o sistema escolar.”

Para o professor, os métodos convencionais de avaliação promovem uma “exclusão pelo lado de dentro”, ou seja, a escola, ao invés de incluir, acaba por excluir os alunos que geralmente mais precisam dela.

A professora Adriana Maria Andreis, da UFSS, destacou a necessidade do planejamento no processo de aprendizagem, que leve em consideração quem lida com o dia a dia na sala de aula.

“Planejar é respeitar o outro. Nossa tarefa é lidar com o conhecimento, numa apropriação é que sempre individual. Experimentar diferentes formas de pensar, formular hipóteses, provocar a pensar sobre outros pontos de vista conceituais”, destacou.

Preocupações
A deputada Luciane Carminatti (PT), da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Alesc, afirmou que o objetivo do seminário é auxiliar os municípios na capacitação dos profissionais de educação em temas diversos como, por exemplo, a BNCC. Durante a abertura do evento, na manhã desta terça-feira, a parlamentar demonstrou preocupação com os recursos para o financiamento público da educação, os casos de violência contra o professor no ambiente escolar e o assédio moral aos profissionais da área.

“Todo mundo fala em educação, mas poucos entendem de verdade de educação, da realidade da sala de aula, dos problemas. Mesmo assim, ficam falando como o professor deve agir, o que ele pode falar ou não”, disse. “O professor quer construir o respeito, o amor, a solidariedade, essenciais para o funcionamento de uma sociedade justa.”

A abertura do seminário foi acompanhada pelo reitor da Unochapecó, Claudio Jacoski; a diretora do campus da UFFS em Chapecó, Lísia Regina Ferreira; prefeito de Águas Frias, Ricardo de Moura; Evandro Accadrolli, do Sinte; Emerson Neves da Silva, pró-reitor de Extensão e Cultura da UFFS; o presidente do Colegiado de Secretários da Educação da Amosc, Sadi Baron; além de representantes da Secretaria de Educação da Chapecó e da  Gerência Regional de Educação (Gered) de Chapecó.

Mesas temáticas
No período da tarde, os participantes foram separados em oito mesas temáticas, que trataram de assuntos como educação inclusiva, educação ambiental, saúde, corporalidade, relações étnico-raciais, direitos humanos, família, valores, entre outros.

O professor Odilon Poli, da Unochapecó, abordou sobre como os temas valores e famílias devem ser abordados na escola. Conforme ele, a legislação determina que a formação para a cidadania é papel da escola.

“É um trabalho que fica neglicenciado, a escola se preocupa mais com a questão do ensinar e não do educar”, comenta. “Essa separação que se faz, que a família deve educar e a escola ensinar, não tem sentido, porque ambos devem atuar nas duas áreas.”

Sobre o tema família, Poli acredita que a escola deve tratar do tema levando-se em consideração que, atualmente, há vários tipos de formação familiar.

“Voltar àquele tempo em que todas as famílias eram pai, mãe e filhos, em um casamento único e indissolúvel, é muito difícil. Temos que trabalhar com essa realidade. Há muitas formas de família hoje, o que não quer dizer que isso se determina a qualidade das relações que se vivem dentro de uma família. O importante para a criança é que haja relações saudáveis, de carinho, acolhimento, rigor. Isso pode ocorrer em qualquer tipo de família”, comenta.

O Seminário Estadual de Formação Continuada de Professores da Região Oeste tem sequência nesta quarta-feira (6) com a realização de oficinas espefícas para professores da rede municipal de ensino dos municípios da Amosc.

Marcelo Espinoza
Agência AL

Voltar