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07/11/2019 - 12h05min

Projeto “Cidades Invisíveis” é destaque na sessão da Assembleia

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Samuel Schmidt, criador do projeto “Cidades Invisíveis”
FOTO: Bruno Collaço / AGÊNCIA AL

O projeto “Cidades Invisíveis”, movimento nascido em Florianópolis que promove ações de impacto social para comunidades de risco, foi destaque durante suspensão da sessão ordinária da Assembleia Legislativa nesta quinta-feira (7). Por dez minutos, os deputados ouviram o empresário Samuel Schmidt, criador do projeto. A participação de Schmidt na sessão foi uma proposição da deputada Marlene Fengler (PSD).

O projeto surgiu em 2012, quando Schmidt, um entusiasta da fotografia e, como ele mesmo diz, “do poder da imagem”, recebeu um convite para fazer fotos de uma ação social que ocorreria nas comunidades da Vila Aparecida, em Coqueiros – um bairro na região continental de Florianópolis – e Frei Damião, em Palhoça. Filho de uma professora de educação física da rede pública, Schmidt já tinha noção, desde criança, das diferenças de oportunidades entre ele e as crianças que eram alunas da mãe.

“Por muitos anos eu fiquei afastado de comunidades e de colégios públicos. Quando eu tive a oportunidade de fotografar uma favela, uma região empobrecida, percebi que havia um abismo muito grande entre aquela realidade da abundância material e afetiva e aquela realidade das carências”, afirmou o empresário. “Às vezes não a carência afetiva, porque lá também tem amor, tem alegria, mas a carência mais material e de poder construir essa vida digna”, completou.

Segundo Schmidt, o “Cidades Invisíveis” surgiu para dar visibilidade a essas comunidades. “Da fotografia surgiu a arte, da arte surgiu o produto, e do produto a gente começou a rentabilizar as ações”, contou. Hoje, por meio de doações regulares de empresas parceiras e da venda de produtos como camisetas inspiradas nas imagens produzidas nas comunidades, eles conseguem viabilizar financeiramente o projeto.

O movimento proporciona mais qualidade de vida por meio de oficinas de leitura, construção de parquinhos, bibliotecas ambulantes, reurbanização de áreas, distribuição de cestas básicas e ações de saúde, entre outras. Cursos de qualificação, como na área de corte e costura, geram as oportunidades que o empresário vê como essenciais no desenvolvimento humano e econômico destas regiões. "A pobreza é decorrente da falta de oportunidades”, avaliou.

Construtor de pontes

Segundo Samuel Schmidt, a cada dia cresce o número de consumidores conscientes, que dão importância à origem dos produtos e o impacto social da fabricação dos itens que consomem. Isso impulsiona o surgimento de empresas com um olhar mais voltado para a responsabilidade social. “São empresas que se criam para maximizar não o lucro, mas o impacto social. São as chamadas empresas sociais ou setor 2.5. Tem um movimento de empreendedores, de jovens, é uma geração que está nascendo. No mundo europeu e nos EUA já está muito forte isso”, comemorou.

Schmidt disse enxergar a si mesmo como um “construtor de pontes” entre as comunidades que ajuda e o mundo em volta delas. “As grandes empresas, os empresários não precisam estar dentro da favela, mas estar conectados com esse mundo. Eu consigo estar tanto no mundo dos empresários quanto no mundo das favelas. É construir estas pontes de quem tem com quem não tem”, ensinou.

Responsabilidades divididas

O idealizador do projeto “Cidades Invisíveis” reconhece a responsabilidade do poder público com a melhoria da qualidade de vida da população, mas entende que não dá mais para ficar apenas exigindo isso das autoridades. “É claro que eles têm suas responsabilidades, mas pra melhorar a educação, a saúde, o saneamento, precisa de dinheiro. A gente precisa mudar esse olhar. O poder privado, nós como cidadãos, eu, você, cada um fazer a sua parte para transformar. Cada um saindo da inércia, da zona de conforto para fazer a transformação”, afirmou.

Para a deputada Marlene Fengler, o projeto se encaixa na iniciativa que ela vem tomando todos os meses de dar voz a pessoas e entidades que, na visão dela, fazem sua parte na sociedade, que mostram que, independente das responsabilidades do poder público, a sociedade também pode contribuir. “É o que o projeto 'Cidades Invisíveis' faz. Ele vai aos bairros mais carentes e ali capacita, qualifica as pessoas”, disse a parlamentar.

A intenção da iniciativa da deputada é dar visibilidade às pessoas, entidades ou grupos de pessoas que “não esperam que o poder público resolva tudo, mas dão a sua contribuição, por menor que seja, para melhorar a vida do próximo e da sociedade em geral”.

Marcelo Santos
Agência AL

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