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21/10/2014 - 08h23min

Mastologista alerta para importância do exame clínico das mamas

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Mastologista Bráulio Elias Fernandes. FOTO: Fábio Queiroz/Agência AL

Em Santa Catarina, cerca de 1,6 mil novos casos de câncer de mama são diagnosticados por ano, dos quais 20% levam a óbito. Esse é o tipo mais frequente de câncer entre as mulheres no mundo todo, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). O assunto ganha destaque em outubro, mês em que é enfatizada a importância dos exames preventivos.  

O médico Bráulio Elias Fernandes, mastologista da Maternidade Carmela Dutra, em Florianópolis, e membro da direção catarinense da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), fala sobre o assunto e reforça a importância do exame clínico das mamas.

De acordo com INCA, no Brasil, surgem 50 mil novos casos de câncer de mama por ano. Qual a postura das mulheres catarinenses com relação ao cuidado com as mamas?
O que se tem observado nos consultórios médicos, de modo geral, é que a maioria das pacientes chega com a doença em estágios iniciais, apresentando tumores pequenos, de dois a cinco centímetros. Casos avançados representam uma minoria.

Quais são as causas do câncer de mama?
Na maioria das vezes não se sabe a causa. O fator hereditário representa apenas 5% dos casos. Os outros 95% envolvem questões pessoais. Fatores hormonais e comportamentais isolados não estão comprovadamente ligados à incidência do câncer de mama, mas podem influenciar. Dentre eles podemos citar: menstruação precoce ou gravidez após os 30 anos, alto peso, sedentarismo, consumo de bebida alcoólica e até mesmo o estresse. Nesse contexto, a mama é um órgão que se modifica muito durante a vida, tornando mais sensível a saúde da mulher.

Não sabendo as causas, é possível se falar em prevenção do câncer de mama, então?
Primária, não. Porém, considera-se a prevenção secundária o diagnóstico precoce feito por meio do exame clínico ou mamografia. O conselho geral é que as pessoas tenham uma vida mais saudável, principalmente no que diz respeito à alimentação. É importante variar os tipos de alimentos consumidos, evitando, assim, o efeito cumulativo de substâncias nocivas (conservantes, pesticidas, agrotóxicos) a que eles estão submetidos. Hormônios femininos são feitos de gordura, por isso alimentos gordurosos devem ser evitados. Além disso, é importante ter um sono regular, praticar exercícios e, na medida do possível, evitar o estresse.

Quais são os primeiros sinais do câncer de mama?
Em 80% dos casos, a queixa mais comum é referente aos nódulos, percebidos pela própria mulher ou no consultório médico, por meio do exame clínico.

Como é feito o diagnóstico?
O rastreamento é feito pela mamografia, considerando-se dois grupos distintos. O primeiro é o de alto risco, especialmente os casos com histórico familiar importante, ou seja, aqueles que envolvem parentes em primeiro grau. Nesse caso, a doença é mais agressiva, por isso aconselha-se realizar o exame a partir dos 25 anos. O segundo grupo, de baixo risco, leva em consideração que a população em geral faça o rastreamento clínico concomitante ao exame preventivo de colo de útero. A Secretaria de Estado da Saúde segue a mesma recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), que é a realização do exame de mamografia a partir dos 40 anos. Hábito que já demonstrou bons resultados, podendo inclusive evitar mortes.

Como é feito o tratamento do câncer de mama?
Em geral, quando existem doenças mais iniciais, começa pela cirurgia, depois se avalia o uso de medicamentos e tratamento por radioterapia e quimioterapia. Em casos mais avançados, muitas vezes, a quimioterapia é indicada para reduzir a doença e possibilitar a realização da cirurgia de uma forma mais efetiva e menos arriscada.

Nem todos os casos exigem a retirada total da mama?
Não. Hoje em dia, em função dos bons resultados das reconstruções mamárias, existe uma compreensão popular de que a mastectomia é melhor, ou seja, a retirada total da mama, mas isso não é verdadeiro. É cientificamente provado que a cirurgia conservadora, ou seja, que preserva a mama, é tão efetiva quanto a mastectomia. Em alguns casos não há alternativa, mas na maioria das vezes essa decisão é tomada junto com a paciente, levando em consideração seu desejo pessoal. A indicação médica é de que em estágios iniciais seja feita cirurgia conservadora.

Qual a incidência do câncer voltar na outra mama já tendo acometido uma delas?
Isso é bastante individual. Por exemplo, nos pacientes de alto risco, quando há doença hereditária, é muito comum ocorrer o câncer de mama bilateral, ao mesmo tempo ou de forma não sincronizada. Nesses casos, as chances de ter a doença são de 80 a 90%. E o risco da bilateralidade pode chegar a 30%. Na população em geral, esse risco aumenta em torno de meio a 1% por ano de sobrevida. Por exemplo, se uma paciente viver até 10 anos depois de ter a doença, o risco de ocorrer o câncer na outra mama pode chegar a 5%. Mas, hoje em dia, vários medicamentos usados no tratamento do câncer já previnem que a doença ocorra na outra mama.

Qual a colaboração do autoexame no processo de diagnóstico precoce do câncer de mama?
Já se falou muito do autoexame. Não se tem desencorajado a fazê-lo, mas se tem dado menos importância a ele. A contribuição que ele poderia dar é com relação ao estágio da doença quando ela é diagnosticada, o que não alteraria a chance de cura, mas reduziria a agressividade da cirurgia. O autoexame é importante no sentido do autoconhecimento, mas ele pode ter alguns efeitos colaterais. O primeiro é que as pacientes podem desenvolver um medo constante de ter a doença e sempre acham que apalparam alguma coisa. Dessa forma, estaria se fomentando a cancerofobia. O outro efeito é o contrário: a paciente que se auto examina e acha que está tudo bem, deixa, assim, de procurar as estratégias mais efetivas, e a ajuda médica. A minha recomendação é, então, para que se seja feito o exame clínico a partir do momento que começar a coletar o preventivo, em torno dos 20 anos ou quando começar a vida sexual, e a mamografia anual a partir dos 40 anos.

Ana Paula Bandeira
Secretaria de Estado de Saúde/SC

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