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14/03/2014 - 13h04min

Evento presta homenagens e discute políticas públicas para mulheres negras

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Colóquio foi organizado pelo Programa Antonieta de Barros (PAB) da Assembleia Legislativa. FOTO: Solon Soares/Agência AL

A Assembleia Legislativa realizou o Colóquio Mulher – Mulheres Negras, na noite desta quinta-feira (13), por iniciativa do Programa Antonieta de Barros (PAB). Durante o encontro, pensado para a semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher (08), foram debatidos temas em torno da perspectiva de vida e saúde da mulher negra no Brasil.

Ioná Maria Cardoso, representante da União de Negros pela Igualdade (Unegro), falou sobre as preocupações que norteiam a saúde com o recorte de gênero e cor. “Nossa preocupação com a saúde da mulher é focar na perspectiva do atendimento para que o SUS possa fazê-lo de forma universal e ampla, mas também sabemos que fatores sociais, culturais, políticos e estruturais fazem com que as mulheres sejam colocadas numa situação de vulnerabilidade social. Se fizermos o recorte de gênero e cor, percebemos que as mulheres negras adoecem e morrem mais cedo, em função das condições de trabalho e vida social a que estão submetidas”.

Ioná tratou, ainda, da perspectiva reprodutiva e avaliou que não se pode pensar somente nesta fase da vida quando se trata de saúde, mas é preciso levar em consideração tanto a saúde física quanto mental em todo o período da vida. “Historicamente sabemos que a mulher desempenha várias funções, dentro e fora de casa, cuidando de filhos, marido, familiares e acaba descuidando da própria saúde. Pensar em políticas públicas que promovam o auto-cuidado e motivem a mulher, principalmente das periferias, a procurar ajuda para prevenção e tratamentos é nosso maior objetivo com este colóquio”, concluiu Ioná.

Resgate Histórico
Jeruse Romão, professora e representante do Instituto Cultural Luisa Mahin, fez um resgate histórico da vinda dos africanos para o Brasil e apresentou os papéis desempenhados pelos negros como protagonistas de trabalhos forçados e pouco reconhecidos. Jeruse debateu também sobre as lutas e conquistas e destacou personagens que marcaram a história dos negros no Brasil, como a negra Liberata, escrava comprada por um senhor que vivia na antiga Vila de Paranaguá (Rio de Janeiro), na primeira metade do século XIX.

Liberata de Paranaguá foi a primeira escrava a entrar em segunda instância no Tribunal da Relação do Rio de Janeiro. Seu senhor que havia lhe prometido a liberdade e acabara de falecer sem ir ao cartório pagar a promessa de libertá-la. Como escrava, Liberata não tinha direito de entrar na justiça ou a ter voz de direito. Mesmo assim ela entrou com o pedido de alegação no tribunal dizendo que trabalhou e foi estuprada pelo senhor de escravos durante 40 anos, não pode cuidar dos seus filhos porque tinha que cuidar dos filhos da ‘Sinhazinha’. O juiz deu ganho de causa à escrava e a libertou.

Antonieta de Barros, primeira mulher a ocupar uma cadeira no Legislativo catarinense, também foi relembrada pela professora, que declarou ser a memória dela um dos motivos de celebração no evento.

Homenagens
Durante o Colóquio Mulher – Mulheres Negras foram homenageadas mulheres negras que se destacaram no cenário social, político e cultural catarinense. Uda Gonzaga, de 76 anos, foi uma das homenageadas. Ícone do Carnaval, dona Uda foi tema do samba enredo da Embaixada Copa Lord, deste ano. A professora aposentou-se após 40 anos na direção da Escola Lúcia Nascimento Mayvorme, no bairro do Monte Serrat, em Florianópolis, mas faz trabalho voluntário de reforço escolar. Ela também se dedica ao projeto Esporte e Saúde Monte Serrat, voltado a 30 crianças de oito a 12 anos. “É uma felicidade receber esse reconhecimento. Com o Programa Antonieta de Barros tivemos a oportunidade de, há dez anos, conhecer o Parlamento catarinense e participar das deliberações a atividades promovidas pela Casa”.

Marilu de Oliveira, coordenadora de Estágios Especiais da Assembleia Legislativa, avalia o colóquio como uma oportunidade de aprimorar as políticas de ação afirmativa de gênero e de juventude. “Nós, do Programa Antonieta de Barros, estamos dando apoio às organizações dos movimentos sociais. Com estas homenagens, esperamos também exaltar a questão da autoestima de pessoas que fazem a diferença no estado”.

Homenageadas da noite

  • Professora Uda Gonzaga (AMAB)
  • Vera Fermiano (ativista Movimento Negro)
  • Professora Neli Góes (AMAB)
  • Professora Valdeonira Silva dos Anjos (AMAB)
  • Professora Altair Alves Felipe (AMAB)
  • Professora Jeruse Romão ( Instituto Luisa Mahin e 1ª coordenadora do PAB)
Michelle Dias
Agência AL

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