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07/05/2018 - 16h25min

Autista propõe que professores priorizem o hiperfoco dos alunos

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Marcos Petry
FOTO: Fábio Queiroz/Agência AL

Marcos Petry, autista de alto funcionamento, propôs aos professores e profissionais de saúde que priorizem o hiperfoco dos alunos no processo de aprendizagem. A sugestão ocorreu durante o seminário “Inclusão e novos paradigmas”, realizado nesta segunda-feira (7), no centro de convenções de Turvo, no Sul do estado.

“Peço para prestarem atenção no foco dos alunos autistas, às vezes um gosta de futebol, outro de handebol, então você pode fazer o que se chama de transdisciplinaridade e abordar outras coisas dentro da matéria, aproveitando o hiperfoco no aprendizado”, argumentou Marcos Petry.

O autista citou o seu interesse por sons e mostrou como esse foco específico potencializou o aprendizado de música e de outras línguas, como o inglês, espanhol e alemão.

“No início meu interesse era pelos sons das rodinhas dos carrinhos, depois veio a música e por fim os sons dos fonemas”, revelou Petry, atualmente um escritor de sucesso, com dois livros publicados sobre o autismo.

O papel dos pais de Marcos
Arlete Boing Petry, mãe de Marcos, contou como foi o processo de estimulação do filho, cujas disfunções atingiam o tato, olfato, visão, fala e mobilidade.

“Tínhamos que reorganizar o cérebro do Marcos, ele não tinha nada, tínhamos que fazer pontes, mandar estímulos e acordar as partes adormecidas. Montamos um quarto de reorganização neurológica, acordava mais cedo para trabalhar com o Marcos porque o cérebro não dorme, mesmo com ele dormindo continuávamos mandando estímulos, até que registrava e devolvia para nós as informações. Isso tudo precocemente, daí deu a ele mais oportunidades, porque eles não têm iniciativa”, ponderou Arlete.

No caso dos sons, a estimulação também começou cedo. “Ele não pronunciava som algum, foi muita música-terapia com fita cassete de 45 minutos, muita música clássica, gravávamos vários sons, água correndo, chuva e deixávamos ligado noite adentro. Com 4 anos ele falou, mas podíamos ter desistido antes. Toda oportunidade possível aproveitávamos, não deixávamos ele em casa no conforto”, recordou a mãe de Marcos Petry.

O papel do segundo professor
De acordo com as diretrizes do programa pedagógico instituído pela Política de Educação Especial de Santa Catarina, o segundo professor deve correger (reger junto) e apoiar o professor titular.

“Isso significa pensar junto as adequações curriculares, ‘esta criança não consegue fazer as atividades do mesmo jeito que as outras. De que forma podemos organizar a atividade para que a criança participe’. Só pode propor, se conhecer o conteúdo, então precisa entender o conteúdo trabalhado para mediar a  significação para o aluno, tem de significar para o aluno o que vocês estão dizendo”, enfatizou Edite Sehnem, pedagoga aposentada da Secretaria de Estado da Educação (SED).

A especialista em educação especial ressaltou que o papel do segundo professor varia de acordo com a necessidade do aluno.

“Não é papel do segundo professor copiar as coisas do quadro, mas pode ser que um aluno tenha comprometimento motor e ele queira registrar no seu caderno as atividades. Nesse caso, o segundo professor pode organizar uma forma peculiar de registro, logo o segundo professor também pode fazer anotações para os alunos.”

O segundo professor está previsto na Lei 17.143/2017, de Luciane Carminatti (PT). Entretanto, a lei não está em vigência, haja vista que o governo do Estado protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) e o ministro relator concedeu liminar suspendendo seus efeitos.

Quem tem direito ao segundo professor
Segundo a lei questionada no STF, têm direito ao segundo professor os alunos com diagnóstico de deficiência intelectual, transtorno do espectro autista e ou deficiência múltipla que apresentem comprometimento significativo nas interações sociais e na funcionalidade acadêmica.

“O aluno tem de estar matriculado e frequentando as aulas. Se o aluno falta, o professor continua trabalhando”, observou Edite Sehnem.

Não escreve, mas desenha
A pedagoga relatou o caso de um aluno com síndrome de Down cujo médico determinou a retirada da escola regular porque, segundo o profissional de saúde, a criança não tinha condições de alfabetização.

“O médico escreveu ‘determino a retirada imediata porque não tem nenhuma condição de letramento’. Liguei para a escola, não podemos permitir que alguém que não é da área diga o que é alfabetização e letramento. A criança não escrevia, mas desenhava histórias em quadrinhos do que os professores falavam. Não escrevia, mas desenho é produção escrita, é representação simbólica”, ponderou a pedagoga.

Atendimento Especial Especializado (AEE)
Diferente do segundo professor, que atua junto com o professor na sala e no horário em que o aluno frequenta a escola, o atendimento especial especializado (AEE) deve ser ofertado no contraturno, com o objetivo de complementar ou suplementar o processo de aprendizagem.

“O planejamento do AEE tem de estar sintonizado com o que o aluno está aprendendo no ensino regular, mas o professor não deve repetir as mesmas atividades desenvolvidas na sala do ensino regular”, indicou a pedagoga.

Casa cheia
Prestigiaram o seminário “Inclusão e novos paradigmas” o deputado Ricardo Guidi (PSD), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência; o prefeito de Turvo, Tiago Zilli; o presidente da Apae de Turvo, João Airton da Rosa; representantes da ADR de Araranguá, das secretarias de educação locais, além de cerca de 700 professores da rede pública dos municípios do extremo Sul de Santa Catarina.

O evento foi realizado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e pela Escola do Legislativo Lício Mauro da Silveira, com o apoio da ADR de Araranguá, prefeitura de Turvo, Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) e Apaes de Araranguá, Jacinto Machado, Balneário Arroio do Silva e Turvo.

Vítor Santos
Agência AL

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