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30/04/2020 - 19h22min

Socorro ao setor calçadista: frente parlamentar se reúne em busca de medidas

Encontro virtual foi realizado na tarde desta quinta-feira (30)
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Deputado Altair Silva, coordenador da frente, participa da audiência virtual com representantes do setor e o secretário da Fazenda. FOTO: Divulgação

Antes de fechar o segundo mês com impactos negativos na economia catarinense, provocados pela pandemia da Covid-19, a Frente Parlamentar em Apoio aos Setores Calçadistas e de Componentes para Calçados da Assembleia Legislativa realizou nova reunião. Dessa vez, com a presença virtual do secretário de Estado da Fazenda, Paulo Eli, que conversou com os parlamentes, empresários, representantes sindicais e empresariais de São João Batista, o maior polo calçadista de Santa Catarina.

A audiência, solicitada pelo deputado Altair Silva, coordenador da frente parlamentar, discutiu os impactos provocados na economia local e principalmente as medidas que podem ser tomadas para enfrentar a situação. “São mais de 2 mil pessoas que perderam seus empregos, as empresas com as faturas chegando e os pedidos sendo cancelados, por isso pedimos ao secretário um apoio do Governo, que virá através de linhas de crédito do Badesc e do BRDE”, comentou Altair, que está preocupado com a situação.

Durante o encontro, que aconteceu de forma virtual, o secretário da Fazenda se comprometeu em analisar uma melhor tributação para o setor de componentes, que faz parte da cadeia do calçado, e tornaria o polo mais competitivo. Além disso, explicou a situação econômica do Estado, que os impede de oferecer uma linha de crédito diferenciada, ao contrário do governo federal, que possui mais elasticidade na arrecadação. Eli afirmou que o governo busca viabilizar linhas de crédito para o setor através do Badesc e do BRDE, sendo uma de microcrédito para microempreendedores com juros subsidiados pelo Estado e outra para as médias e grandes empresas, com garantias.

“Esse recurso é importante para saúde financeira, tanto do pequeno quanto do grande, já que todos foram afetados pela pandemia. O crédito é importante para enfrentarmos esse momento”, frisou Altair.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de São João Batista (SincaSJB), Almir Manoel Atanázio dos Santos, o principal problema enfrentado pela indústria calçadista é o cancelamento de pedidos e a postergação do pagamento das compras já consolidadas. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias do Calçado de São João Batista (Sintrical), Everton Quirino dos Santos, está preocupado com a saúde dos seus trabalhadores, mas também com a perda dos postos de trabalho.

A situação do município já foi repassada também ao Fórum Parlamentar Catarinense pelo prefeito Daniel Netto Cândido, que confirmou uma reunião da bancada federal para o dia 21 de maio, onde será discutido o assunto. “Nosso produto não é aquele essencial, que as pessoas vão priorizar consumir, por isso, a retomada vai ser ainda mais difícil”, relatou o prefeito.

A deputada Marlene Fengler, que integra a frente parlamentar, também participou do encontro, juntamente com representantes da Câmara de Dirigentes Legistas (CDL) e da Associação Comercial e Industrial do município (ACESJ).

Estatísticas
São João Batista, reconhecida como a capital catarinense do calçado, é o maior polo calçadista do Estado, e a economia local depende diretamente dessa produção. O setor já amarga 2,5 mil demissões desde março, quando iniciou o isolamento social na cidade. São mais de 1,6 milhões de pares produzidos por mês, e que agora, boa parte deixa de ser fabricado.

“Eram mais de 8 mil pessoas empregadas nas mais de 400 empresas instaladas no município, e que agora sofrem com essa situação”, lamenta o deputado Altair.eira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) estima que a produção de calçados deva encolher pelo menos 49% no segundo trimestre do ano, em relação ao mesmo período do ano passado. A crise já fez com que o setor no Brasil perdesse 26,5 mil postos de trabalho. A queda será somada a um revés de 14,2% nos primeiros três meses do ano, o que deve resultar em uma retração de pelo menos 31,8% no primeiro semestre.

Muitas empresas adotaram férias coletivas e jornadas reduzidas para tentar manter os empregos, mas não veem o futuro com bons olhos, já que houve uma queda nas exportações de 8,5% no primeiro trimestre em relação a igual período do ano passado, e os embarques devem cair, pelo menos, 46,4% no segundo trimestre, conforme projeções da Abicalçados. O mercado interno também sinaliza com forte retração, e segundo as projeções, o consumo de calçado ao longo de 2020 deve ter queda superior a 20%.

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Altair Silva
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