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19/11/2020 - 13h34min

Dia da Consciência Negra: ações de Fabiano por uma SC mais inclusiva

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Deputado Fabiano da Luz e imigrantes FOTO: Maurício Santos/Divulgação

A consciência negra e a defesa por uma Santa Catarina mais justa e fraterna são causas valorizadas pelo mandato do deputado Fabiano da Luz (PT).  O Dia da Consciência Negra é comemorado neste 20 de novembro em todo o território nacional. Essa data rememora a trajetória de Zumbi dos Palmares, quilombola que liderou a resistência do Quilombo dos Palmares contra os portugueses no século XVII. É uma data também para lembrar e combater o racismo.
O mandato de Fabiano entrou em contato com diversas representações negras para falar sobre suas perspectivas de vida e desafios que enfrentam devido ao racismo.

A construção de uma sociedade mais plural e inclusiva também passa por ações afirmativas. Pensando nisso, o deputado estadual e líder da bancada do Partido dos Trabalhadores é o autor do Projeto de Resolução, que denominou o Espaço Didático Cultural da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) de “Espaço Cultural Promotor Público e Poeta Cruz e Sousa”.

A partir de agora,  Cruz e Sousa é o nome do espaço oferecido para exposições, também chamado de “anexo”, localizado no primeiro piso, próximo à Presidência da Assembleia.

Santa Catarina e seus desafios históricos
Em Santa Catarina, onde 80% da população de 7,1 milhões de pessoas (estimativa do IBGE em 2019) se declara branca, temos apenas 16,5 % pardos e 3% se reconhecem como negro. No cenário nacional, negros e pardos representam juntos mais 50% da população brasileira.

O empreendedor social Maycon Sousa, graduado em Gestão Pública, analisa constantemente o tema. "Por conta da relevância europeia, a imigração Italiana, alemã e açoriana têm grande influência cultural e social por aqui. Em outras etnias, temos a indígena (a primeira do Estado) e a população negra, ambos representam a minoria" explica o jovem.

Maycon relata a falta de representatividade no legislativo catarinense. "Elegemos a primeira deputada estadual negra do Brasil, a Antonieta de Barros na década de 1930, depois tivemos apenas o suplente de deputado estadual Sandro Silva, em 2012. E nuca elegemos um senador, deputado federal ou governador negro" analisa.

O enfrentamento nos municípios
Dos 36 candidatos que disputam o segundo turno, 14 são negros. Florianópolis é a única capital brasileira que não elegeu negros para a Câmara Municipal no último domingo. Ocupando uma das 23 cadeiras da casa legislativa, estará Cíntia Mendonça (PSOL), branca, que lidera o coletivo Bem Viver, integrado por uma mulher negra, Mayne Goes, e outra indígena, Joziléia Daniza. Para efeitos legais, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contabiliza apenas a titular do mandato.

O levantamento foi feito pela plataforma Gênero e Número, que mostra que 44% dos vereadores eleitos nas capitais brasileiras em 2021 são negros. A região sul do país é onde as candidaturas representam o menor percentual. Além de Florianópolis, em Curitiba (PR) a presença negra é de 11%, mesmo percentual de Porto Alegre (RS). Em seguida vem São Paulo, com 18% e Recife, com 28%.

Em 1992, Florianópolis elegia o primeiro vereador negro: Márcio de Souza. Professor, pesquisador, sambista e filiado no Partido dos Trabalhadores (PT), Márcio atualmente é Secretário de Igualdade Racial e Combate ao Racismo do Sinte (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina).

"Ser negro em Santa Catarina significa não fazer parte da  'Fotografia Oficial do Estado'. A marginalidade de 19,80% da população catarinense, quase 1,3 milhão de habitantes, não inseridos socialmente. Portanto, vivemos uma experiência marcada pelos crimes raciais impunes; de manifestações Nazistas permitidas; pelo desprezo das leis federais como a lei 10639/03, assim  como o cumprimento das leis que poderiam melhorar e, garantir a Saúde Integral da População Negra. Entretanto, há uma 'nucleação histórica', que se encarregou da resistência em quer viver e, prosperar socialmente. Somos a expressão da sobrevivência ao genocídio, planejado, mas que negamos a seu impedimento" relata o professor.

Os jovens na luta antirracista
A realidade nos municípios do interior também é marcada por resistência. Essa é a visão do poeta e ativista Henrique Rodrigues Junior. O jovem de Pinhalzinho encontrou na arte a motivação necessária para seguir com sua mensagem.

"Ser preto no sul do Brasil é diferente de ser preto em qualquer parte do país. Aqui a população é muito branca, e um preto de pele clara aqui é considerado retinto. Sabemos que pretos retintos sofrem muito mais racismo que um preto de pele clara, mas aqui não, aqui o racismo é muito mais intenso que em outras partes do país. Ser negro em Santa Catarina é uma luta diária contra o racismo", define Henrique.

O artista vai além sobre como o que já viveu no seu dia a dia. "Os olhares racistas nas ruas, os seguranças perseguindo nos shoppings, as vagas de emprego que te são negadas, e até mesmo agressões por pessoas extremistas...já passei por tudo isso: ser preto no Sul é um trauma diário, você precisa ser forte todos os dias, não tem trégua, não há paz!" conta ele.

A presença das mulheres negras
Com 3.126 votos, a professora e servidora pública aposentada Ana Lúcia Martins foi eleita a primeira vereadora negra da história de Joinville (a 177km da capital Florianópolis). A eleição de Ana Lúcia também marca o retorno do Partido dos Trabalhadores (PT) de Joinville à Câmara de Vereadores, que não havia eleito parlamentares nas eleições municipais de 2016.

Ana Lúcia agradeceu seus eleitores e destacou que sua eleição é a representação de um projeto coletivo. "Construído pelo Movimento Negro de mulheres e homens, pela organização e coletivos de mulheres e feministas, por diferentes partidos de esquerda, de pessoas sem partido e de outros movimentos sociais”, conta Ana.

Depois de tornar-se eleita na maior cidade de Santa Catarina, a petista tem sofrido ameaças nas redes sociais. Em uma das mensagens, uma pessoa afirma: “Agora só falta a gente matar ela e entrar o suplente que é branco (sic)".

“Sabia que não seria fácil. Estava ciente de que enfrentaria uma certa resistência em uma cidade que elegeu apenas na segunda década do século 21 a primeira mulher negra. Só não esperava ataques tão violentos”, afirmou Martins.
A partir de 2021, a Câmara de Brusque também terá uma mulher negra. Com 753 votos, Marlina Oliveira Schiessl (PT) marca seu nome na história do município como a única mulher da legislatura e a primeira negra a ocupar a função de vereadora em 137 anos de história da Câmara.

Natural de Erechim, no Rio Grande do Sul, Marlina está em Brusque desde 2009. É servidora efetiva da prefeitura desde 2011. A pedagoga é doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Em 2018 , Brusque concedeu a Jair Bolsonaro 86,80% dos votos no segundo turno para a Presidência da República (a maior vitória entre as 30 principais cidades catarinenses). Em 2020, a surpresa foi Marlina.  "O envolvimento com a educação e também a participação em diversos coletivos relacionados à diversidade, foram fundamentais para conquistar a eleição histórica", revelou ela durante entrevista nesta semana. O objetivo da educadora é levar ao Legislativo temas plurais, na luta por uma cidade igualitária e livre de preconceitos.

Arte antirracista
Nas ruas de Florianópolis, é possível ver diversos retratos de pessoas negras pintados. A arte urbana e militante é de

Bruno Barbi.  Natural de Toulouse na França, é radicado em Florianópolis desde a infância. Desde 2011, Bruno atua na área de Artes Visuais profissionalmente. Essencialmente figurativa, a arte apresenta diferentes retratos de personagens que remetem a cultura negra.

 

Mais informações: www.fabianodaluz.com.br

Matéria: Maurício Santos

Contato: fabiano@fabianodaluz.com.br/imprensa@fabianodaluz.com.br

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