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Publicado em 02/05/2017

Quando as perdas materiais ficam em segundo plano

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O subtenente Irineu Sberse perdeu as duas casas; a esposa dele teve um infarto após o tornado e segue em estado vegetativo

O tornado de 20 de abril de 2015 não deixou apenas prejuízos materiais para o subtenente da Polícia Militar de Santa Catarina Irineu Roque Sberse. Mais impactante que a destruição de suas duas casas, situadas no Bairro dos Esportes, foram as consequências para a esposa dele, Circe: ela sofreu um infarto, horas após o tornado, e até hoje segue em estado vegetativo.

“A gente lutou a vida inteira para fazer essas casas, com muito sacrifício. Funcionário público não ganha muito, então economizamos ao longo de 30 anos”, comenta. “Aí, você deixa tudo em ordem, tranca a casa, sai e quando volta, está tudo no chão.”

O policial lembra que a esposa, assim que se deparou com a destruição, desmaiou. “Foi o primeiro baque”, lembra. Horas depois, ela foi ao hospital visitar o pai, de 91 anos, que se feriu no tornado. “Ao vê-lo naquela situação, ela também levou outro baque”. O sogro faleceu poucos dias depois da tragédia. Até hoje, Circe não sabe da morte do pai.

Quando o casal retornava para o que havia restado da casa, ela passou mal novamente. Levada ao hospital, sofreu um infarto. Ficou 40 minutos sem oxigênio e entrou em estado vegetativo. Até hoje, não fala, não anda. Alimenta-se por sonda e é monitorada 24 horas por dia. A filha, que morava em Florianópolis, retornou para Xanxerê para cuidar da mãe.

Os problemas com a esposa fizeram com que a reconstrução da casa ficasse em segundo plano. Por isso, só agora, dois anos após a tragédia, o policial concluiu o novo imóvel, com batentes e portas amplas, todo adaptado para que a esposa tenha o máximo de conforto possível.

“De novo, com muito sacrifício e economia, conseguimos reconstruir. Vamos morar na casa nova para dar mais conforto para ela e para nós que moramos com ela”, disse. “Nossa luta não foi tanto pela construção da casa. Mas colocar ela de volta, recuperá-la. Ela está fazendo falta.”

Segundo os médicos, Circe pode ouvir e perceber o que está acontecendo ao seu redor. O marido também acredita nisso. “Ela está vendo tudo o que está acontecendo. Ela fica olhando a casa. Imagino que ela esteja admirando, com vontade de entrar na casa nova.”

Das duas casas antigas, só uma televisão sobrou. Móveis, roupas e eletrodomésticos sumiram ou foram destruídos. As fardas com as quais Irineu trabalhava também nunca apareceram. “Até hoje, não achei a maior parte da casa. Foi tudo embora com o vento.”

Acostumado a lidar com tragédias, até pela profissão que escolheu, o subtenente ainda se choca quando relembra daquele 20 de abril.  “Até então, nunca tinha visto nada igual. Até pela minha profissão, já tinha visto muita coisa. Mas nunca algo assim. Foi muito chocante, algo pesado.”

(As imagens abaixo foram captadas por uma câmera de segurança. A antiga casa do subtenente Irineu é a de cor verde, no canto superior esquerdo do vídeo. É possível ver o antes, a passagem do tornado, e o depois).

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