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Publicado em 08/03/2019

Partidos menores e revolta com conjuntura impulsionam expansão feminina

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Renata de Andrade Oliveira, cientista política. Para ela, as mulheres têm interesse na política, mas o caminho é mais difícil. FOTO: Solon Soares/Agência AL

O aumento da presença feminina na política tem dois pontos que precisam ser considerados. Para a cientista política Renata de Andrade Oliveira, tanto o fortalecimento de partidos menos tradicionais na eleição de 2018 quanto a conjuntura nacional dos últimos anos podem ser vistos como propulsores para esse novo cenário. “Temos uma Câmara mais plural em termos de partidos. Hoje, contamos com 22 partidos que possuem alguma deputada, enquanto em 2015 eram 16”, comenta.

De acordo com ela, o grande destaque vai para o PSL com 10 deputadas federais. Em 2014, a sigla não teve candidatas eleitas para o cargo. Por outro lado, PT continuou a trajetória de ter mais deputadas eleitas. Atualmente, tem 10 e anteriormente tinha 15.

Para Renata, além da manutenção dos partidos que tradicionalmente elegem mais mulheres, como PT e PSDB, o aumento não está relacionado apenas ao PSL, mas, também, ao crescimento de outros partidos, como o PR, que dobrou de tamanho, e com a inserção de novas legendas como Novo, Solidariedade, Podemos e Avante.

"Em função da conjuntura desde 2013, com a crise e o impeachment de Dilma Rousseff, os partidos menos tradicionais viram a oportunidade de ampliar e renovar seus quadros", assegura Renata, que é mestra em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá/PR e doutoranda em Sociologia Política na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Investiram nas candidaturas em razão da conjuntura de apatia em relação à política por parte do eleitorado, a descrença na política e nos políticos, assim como a polarização política. O que me parece é que houve algum investimento dos partidos que surfaram nessa onda no recrutamento de candidatos novos, entre eles, as mulheres”, destaca.

Renata indica um segundo ponto que deve ser analisado: “Ele é mais dedutivo e menos analítico, porque não temos dados concretos sobre isso. Mas a conjuntura política e o embate social de valores também podem ter impulsionado mulheres a procurarem os partidos em destaque por dizerem ser desvinculadas da 'velha política' ou por serem vinculadas a valores mais tradicionais ou conservadores, algo que seria, em uma análise inicial, o perfil das novas deputadas. Os novos partidos, acredita, estruturaram-se nessas diferenças valorativas para impulsionarem suas campanhas, como defensores desses valores e marcar uma posição política diferenciada."

Interesse
A cientista política enfatiza ainda que as mulheres são sim interessadas na política, na mesma proporção que os homens, segundo dados de opinião pública do LAPOP (Projeto de Opinião Pública da América Latina) e do WVS ( Survey dos Valores Mundiais).

“A pressuposição que a diferença de interesses é o fator que causa a baixa representação não se sustenta. Ocorre que o caminho da política é muito mais custoso e exigente para elas, e menos para os homens. Afinal, é uma terceira jornada de trabalho, a qual exige recursos materiais, tempo e desenvolvimento de determinadas habilidades intrínsecas ao mundo da política. Se o espaço político foi construído como um lugar hostil e não natural para as mulheres, com certeza romper barreiras e se inserir é muito mais difícil para elas”, indica a cientista política.

Para assegurar uma mudança efetiva nesta configuração, Renata defende a importância das políticas como as cotas. É, segundo ela, "um remédio institucional para uma desigualdade social e cultural, porque estimula a participação e ajuda na desmistificação de que é um ambiente naturalmente masculino."

“Apesar de parecer haver uma tendência de maior participação, acredito que neste momento os termos conjunturais são os impulsionadores desse aumento. Mesmo sendo uma questão de contexto, isso não desvaloriza a importância dessas novas mulheres estarem presentes no Congresso e participando diretamente da formulação da política. É um passo importante e significativo em um país que tem um histórico tão ruim de participação feminina no congresso. Mas, ainda temos uma longa jornada pela frente em prol da paridade política”, conclui.

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