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Publicado em 26/03/2018

O filho ilustre da Palhoça

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Ivo Silveira, durante sessão especial realizada na Alesc em comemoração aos seus 80 anos, em 1998. FOTO: Arquivo/Alesc

Há exatos 100 anos, nascia em uma casa simples no começo da Rua Caetano Silveira de Matos um dos mais ilustres filhos do município de Palhoça, na Grande Florianópolis. Ivo Silveira, advogado de formação e político por vocação, transformaria-se num dos políticos catarinenses mais respeitados, inclusive entre seus adversários.

O ex-governador nutria um carinho especial pela cidade natal, até na forma de se referir a ela (Ivo Silveira sempre falava “a Palhoça” ou “na Palhoça”). Afinal, foi lá que sua exitosa carreira política começou, na década de 40. O pai, coletor de impostos, não queria que o único filho homem da família de cinco irmãos seguisse a carreira do avô. Mas de nada adiantaram os apelos. “Eu não fiz outra coisa na vida a não ser política”, disse, em uma entrevista na década de 90.

A vida pública começou em 1940, quando foi nomeado adjunto de promotor público da Comarca de Palhoça pelo então governador Nereu Ramos. Em 1945, formou-se advogado pela Faculdade de Direito de Santa Catarina. Atuou na advocacia e se tornou conhecido e respeitado em toda a vasta extensão territorial de Palhoça, que à época tinha como distritos os atuais municípios de Paulo Lopes, Garopaba, Águas Mornas, Santo Amaro da Imperatriz, Anitápolis e São Bonifácio.

Em 1947, aos 29 anos, foi eleito prefeito de Palhoça com 73% dos votos válidos. Em 1950 candidatou-se e se elegeu deputado estadual com 3.280 votos. Na primeira legislatura, ia até as sessões da Assembleia Legislativa de ônibus. O trajeto era demorado, mas ao invés dos engarrafamentos dos dias de hoje, o problema eram as vias não pavimentadas.

“Sou um homem que vim de mim mesmo. Eu não tinha dinheiro para comprar um carro e a viagem durava cerca de uma hora. Passávamos por dentro de São José, o ônibus vinha sempre cheio e eu quase sempre vinha em pé por causa do costume de dar o lugar para as senhoras e os mais velhos”, disse o ex-governador, em entrevista ao jornal AL Notícias, da Assembleia Legislativa, em novembro de 2006.

Durante todo o período em que foi deputado, Ivo Silveira seguiu residindo na Rua Caetano Silveira de Matos. Só saiu de lá em 1966, quando tomou posse como governador do Estado, após ser eleito em 1965, com 328.480 votos. Deixou a terra natal porque a Constituição exigia que o chefe do Poder Executivo estadual residisse na capital.

Ivo Silveira encerrou o mandato no governo no começo de 1971. Em outubro do mesmo ano, foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), cargo do qual se aposentou em outubro de 1973. Sua última eleição seria em 1974, quando concorreu a uma cadeira para o Senado Federal. Candidato da Arena, foi superado pelo MDB de Evelásio Vieira, marcando o encerramento de sua carreira política.

No decorrer de toda a trajetória, o ex-governador recebeu diversas homenagens. É cidadão honorário de vários municípios catarinenses e foi agraciado com a Medalha de Pacificador, concedida pelo Exército Brasileiro.

Em 1998, quando comemorou 80 anos, foi homenageado pela Assembleia em sessão especial. Da tribuna da Alesc, relembrou os tempos de deputado e de governador, bem como das suas realizações, entre elas a construção do Palácio Barriga Verde. Na ocasião, reconheceu o quanto a família, em especial a esposa Zilda, foi essencial para a carreira política bem-sucedida.

“Esta homenagem me alcança a alma e o coração limpos de ressentimento. Ela cobre por inteiro a minha vida pública. Por isso peço permissão para dividi-la com a minha família, que sempre soube compreender as razões pelas quais eu muitas vezes não pude ser o esposo e o pai que gostariam e necessitavam”, discursou.

O ex-governador faleceu em 2 de agosto de 2007, no Hospital de Caridade de Florianópolis, vítima de falência múltipla dos órgãos, consequência de um mieloma múltiplo, aos 89 anos. Seu velório ocorreu no plenário da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, com honras militares prestadas por cadetes da Academia da Polícia Militar. Foi sepultado no cemitério municipal Bom Jesus de Nazaré, em Palhoça, sua cidade natal. À época, o então prefeito de Palhoça, Ronério Heiderscheidt, resumiu bem o que a morte de Ivo Silveira representava para o município.

“Palhoça perdeu seu cidadão mais ilustre. Uma perda significativa. Foi ele quem propagou o município para toda Santa Catarina.”

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