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Publicado em 26/03/2018

O desafio de unir UDN e PSD

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Posse de Ivo Silveira (e) como governador; no centro, o presidente da Alesc, Lecian Slovinski, e à direita, o vice-governador Francisco Dall'Igna

Ivo Silveira foi eleito governador pelo Partido Social Democrático (PSD), com o apoio do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em 3 de outubro de 1965, já em plena vigência do regime militar. Numa disputa aguerrida, ele derrotou Antonio Carlos Konder Reis, candidato da União Democrática Nacional (UDN), por 23 mil votos de diferença.

Três semanas depois, em 27 de outubro, o presidente Castelo Branco baixava o Ato Institucional nº 2 que, entre outras coisas, extinguiu os partidos políticos e impôs o bipartidarismo. Quem quisesse ser governo, deveria fazer parte da Aliança Renovadora Nacional (Arena). À oposição, caberia se filiar ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Adversários de algumas semanas antes, UDN e PSD teriam que se unir em Santa Catarina para formar a Arena. Colocar as duas legendas rivais sob o mesmo comando foi um dos maiores desafios enfrentados por Ivo Silveira em toda a sua carreira política.

Logo após a confirmação da vitória do PSD nas urnas, a UDN pediu a impugnação do resultado na Justiça Eleitoral, que foi rejeitada ainda em novembro de 1965. Nesse clima, Ivo Silveira tomou posse em 31 de janeiro de 1966.

“Era muito difícil [a união com a UDN]. O povo não aceitava. Quem ganha eleição é que deve governar. Democracia é isso”, afirmou o ex-governador ao jornalista Moacir Pereira, no livro “Ivo Silveira: um depoimento”. “E aí vem esse quadro: ganha a eleição e no dia seguinte não tem mais partidos. No outro, estão todos juntos na nova legenda. Como você vai entusiasmar os companheiros? Estávamos todos no mesmo partido. O trabalho era dobrado.”

No livro, Ivo Silveira conta que com algumas semanas de governo, convocou uma reunião para a Casa d’Agronômica, residência oficial do governador. De um lado da mesa, a família Ramos, do PSD; no outro, Bornhausen e os aliados, pela UDN.

“Naquela época, os partidos eles eram uma religião, todos que nasciam num partido morriam no mesmo partido. UDN e PSD eram os grandes adversários.”

Paulo Konder Bornhausen, ex-deputado e adversário político de Ivo Silveira

A união dos rivais não era uma vontade dos políticos catarinenses, mas uma imposição do regime militar. Para dificultar a situação, havia setores da UDN que entendiam ter direito ao governo, já que o partido havia apoiado a chegada dos militares ao poder. “Os udenistas diziam que o PSD ganhara a eleição, mas eles tinham vencido a Revolução. Achavam que, na extinção do partido, o PSD perdera para a UDN”, lembra Ivo Silveira.

Filho do ex-governador, o ex-deputado estadual Renato Silveira foi testemunha dessa e de outras reuniões. “Eu tinha 16 anos e acompanhava toda aquela movimentação na Casa d’Agronômica, ouvia as conversas das reuniões. Começaram a aparecer várias autoridades, me lembro do governador Irineu Bornhausen. Unir UDN e PSD foi muito difícil. O pessoal do PSD questionava:  ‘ganhamos, agora vamos ceder’”, disse.

Paulo Konder Bornhausen, ex-deputado e adversário político de Ivo Silveira, participou das reuniões na residência do governador. Os dois haviam sido colegas na Assembleia Legislativa, na década de 50, durante a gestão de Irineu Bornhausen. Porém, enquanto Paulo defendia o pai, Ivo Silveira era líder da oposição ao então governador.

“Todo o processo de formação da Arena foi muito complicado. UDN e PSD eram os grandes adversários. Era tudo separado, dividido. Havia os bares da UDN e os do PSD. Os clubes, os times de futebol tinham partido”, relembra.

A situação foi resolvida com a participação do governo federal. Ivo Silveira conseguiu indicar o presidente da Arena em Santa Catarina. A legenda foi criada oficialmente em 12 de março de 1966. Pouco tempo depois, o vice-governador de Santa Catarina, o médico Francisco Dall’Igna, do PTB, seria cassado. A UDN indicaria o novo vice-governador. Ivo Silveira sempre refutou qualquer relação entre o acordo para a formação da Arena e a cassação do seu companheiro de chapa.

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