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Publicado em 29/07/2021

Ícone na história da humanidade

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Historiador Adilcio Cadorin diz que nenhuma outra mulher no mundo pegou em armas para lutar por quatro repúblicas

O historiador Adilcio Cadorin é um dos mais especializados na história de Anita Garibaldi. Fundador e diretor do Instituto Cultural Anita Garibaldi (CulturAnita) e ex-prefeito de Laguna, ele foi um dos idealizadores da encenação Tomada de Laguna, que teve sua primeira edição no ano de 1999, e é lembrada até os dias de hoje como uma das atrações culturais mais importantes do município. Cadorin considera Anita uma mulher sem precedentes na história da humanidade sob diversos aspectos.

“Nenhuma outra pegou em armas para lutar por quatro repúblicas, em dois continentes diferentes, pela república catarinense, república riograndense, república uruguaia e república romana”, exemplifica.

“Não é só como guerreira que tornou épica a sua ação, mas também o momento histórico, em que a mulher não tinha presença, não era permitida nada a mulher e ela se impôs, participando dos assuntos bélicos, como estrategista na casa que ela morava no Uruguai, que virou um centro dos oficiais, dos estrategistas, pela independência do Uruguai. Ela participava ativamente, discutia as estratégias de igual para igual.”

O historiador ressalta que a Anita Garibaldi foi uma das precursoras da organização dos serviços de enfermagem nos exércitos em que lutou. “Ela organizou o serviço de enfermagem no Uruguai, organizou antes de algumas batalhas um serviço de enfermagem para atender os feridos nas batalhas na Itália.”

Em dez anos convivendo com Garibaldi, ela nunca abdicou de sua maternidade. “Dos quatro filhos, que ela educou, mesmo participando das batalhas, ela não abdicou da função maternal, educando os filhos, não só educando, mas impôs sua forma de educar contra a vontade de sua sogra. Contra a vontade do rei da Sardenha e de Piemonte, que queria dar educação para os filhos do Garibaldi e ela recursou matricular os filhos no colégio militar.”

Como amante, complementa o historiador, Anita preferiu imolar-se à doença a deixar Garibaldi sozinho. “Talvez num dos momentos mais delicados da história dele, quando era perseguido pelas tropas austríacas, e eram fuzilavam todos os colonos que davam guarida ao casal, ela não quis ficar na cidade para se tratar. Foram chamados médicos para tratar dela, já com febre, Garibaldi tentou impor sua vontade para ela se proteger na fuga chamada Prafila Garibaldina, e ela em momento algum aceitou ficar longe de Garibaldi. Febril, grávida de oito meses, preferiu o risco de morrer e morreu. Isso tudo a transforma num ícone da nossa história.”

Para o historiador, sob ponto de vista atual, Anita Garibaldi se transforma em um instrumento para alavancar a cultura e a autoestima catarinense. “Ela sem dúvida é um fator que pode alavancar as relações internacionais do Brasil e Itália, com o Uruguai, e isso nos traz cultura, turistas, conhecimento, desenvolvimento econômico. Ela representa um instrumento para fazer outra revolução que eu tenho certeza que ela desejaria: desenvolver sua terra, sua cidade, seu estado e seu país.”

Desconhecida do público
“Ai dos vencidos, já dizia Júlio Cezar, imperador romano. Quando Anita e Giuseppe saíram de Santa Catarina, eles foram derrotados, deixaram um rastro de destruição, de mortos, ao contrário do que diziam os revolucionários farroupilhas, que iriam trazer igualdade, desenvolvimento, acabar com a pobreza, democracia. Em pouco mais de 100 dias eles foram derrotados, e Anita foi embora. Foi abandonada pelo marido e foi embora com Garibaldi. Ele era considerado por aqueles que ficaram um homem sem pátria, um aventureiro, e Anita se juntou a ele”, relata o historiador.

Por todos esses fatores, ficou uma mácula na imagem dela para as pessoas que residiam em Laguna e em Santa Catarina. “Por ocasião do ressurgimento italiano, cerca de 30 anos após a Itália ser unificada, iniciou um movimento denominado movimento pelo resgate das figuras do ressurgimento italiano. E Anita foi uma dessas figuras.”

O historiador defende que Anita Garibaldi é, sem dúvida alguma, uma personagem da história brasileira que deve ser cultuada e preservada. “O legado dela, os exemplos, são atuais: fidelidade, companheirismo, valores da família, dos filhos, valorização da educação, liberdades democráticas.”

Daqui pra frente
Para preservar e divulgar a história de Anita Garibaldi, o Instituto CulturAnita, presidido por Cadorin, desenvolve um trabalho denominado Guardiãs de Anita, com apoio institucional do governo do Estado, de diversas instituições e da prefeitura de Laguna, que busca instigar nas crianças uma consciência do que Anita representou e pode representar para os brasileiros. “É nas crianças que queremos focar para que as gerações futuras não sofram pelo desconhecimento sobre essa personagem histórica e catarinense.”

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