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Publicado em 19/04/2017

Conhecimento técnico e sucessão: os desafios da cultura da uva no Vale do Rio do Peixe

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Epagri contribui no treinamento, controle de qualidade e apoio técnico aos produtores

O investimento em conhecimento técnico para as novas gerações é o melhor aliado das famílias para superar os desafios da sucessão e continuar no interior cultivando videiras. É o caso dos Vian, que residem na comunidade de Santo Isidoro, em Pinheiro Preto: Julio César, o filho mais velho, formou-se em biotecnologia na Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), campus de Videira. “Ele montou um projeto de conclusão de curso (TCC) para produzir sucos, o pai cedeu um barracão, hoje a empresa tem um portfólio invejável e a família está muito satisfeita”, conta Vinicius Caliari, professor da Unoesc e orientador do biotecnólogo.

“A ideia de fazer sucos surgiu na faculdade, na época eu trabalhava fora e o meu irmão jogava futebol. Um dia propus ‘que tal a gente montar uma indústria?’ Verificamos a viabilidade, saí do trabalho e meu irmão voltou para casa. Isso foi há nove anos”, lembra Julio Vian.

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Com a ideia na cabeça e o TCC na mão, Julio bateu na porta do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e conseguiu R$ 280 mil para comprar máquinas e criar a Sucos Vian. “Este ano vamos ampliar a unidade de recebimento de matéria-prima”, revela o empresário, acrescentando que o investimento de R$ 500 mil será bancado com recursos próprios.

A família Andretta, da linha Caravaggio, em Tangará, investiu na formação técnica dos mais novos. “Meu filho foi estudar na área e voltou com conhecimento”, declarou Ivanir Andretta, referindo-se a Ismael Andretta, que estudou na antiga Escola Agrotécnica Federal de Concórdia, atual Instituto Federal Catarinense (IFC). “Saí de casa aos 14 anos, mas os professores eram os maiores incentivadores para que voltássemos à agricultura, era um desafio”, relata Ismael.

JlioCesarVian_MZ2.JPGQuando retornou à casa paterna, tratou logo de colocar em prática o que aprendeu. Aumentou a área plantada, introduziu novas variedades e enfrentou a mortalidade causada por pragas. “Os pés eram atacados pela ‘pérola da terra’, um inseto sugador que atua nas raízes e abre as portas para os fungos, ia acabar com tudo”, explica Ismael, completando que evitou a erosão semeando gramíneas sob o parreiral. “O terreno é muito inclinado, quando chovia era um problema. Plantamos azevém, aveia e aveia-preta, mas com cuidado para evitar competição pelos nutrientes”, explica o técnico agrícola.

Os Andretta têm planos para o futuro. “Queremos ampliar a área plantada e construir um viveiro de mudas, a região é carente de mudas, hoje vêm tudo de fora, a ideia é entrar nesse mercado”, justifica Ismael, que não descarta, quando o acesso à propriedade permitir, investir no enoturismo. “Não podemos dar o passo maior que a perna”.

O conhecimento técnico também está presente na história de sucesso da Vinícola da Serra, de Pinheiro Preto. “A chegada do meu marido na família foi muito importante, ele trouxe conhecimento”, observou Suzana Zanella Piccoli, referindo-se a Gilberto Piccoli, que no final da década de 1980 foi para Bento Gonçalves (RS) estudar enologia. “Depois que voltou foi trabalhar com o vinho como base para outras bebidas e se desencantou, mas aqui na nossa casa viu uma nova oportunidade”, destaca a gerente da vinícola.

Suzana e a irmã Fernanda, exemplos de sucessão na agricultura que deram certo, encaram com seriedade o problema de despertar nos filhos adolescentes o amor pelo negócio familiar. “Criamos eles como fomos criadas, no meio do trabalho, não sei se será do gosto deles, mas sempre relembramos onde nossos pais começaram”, descreve Fernanda.

Incentivo para que a terceira geração continue o empreendimento dos Zanella não falta. “Estamos construindo um parque temático da imigração italiana, se chamará Milandre, uma junção dos nomes dos nossos filhos Milan, Ana Clara e Alexandre”, conta Suzana.

Para a maioria, a realidade é outra

Apesar da região oferecer cursos de biotecnologia com ênfase em enologia, engenharia de alimentos e técnico agrícola, poucos jovens do interior ingressam na faculdade ou no ensino técnico voltado ao campo. Em Tangará, por exemplo, cerca de 160 famílias cultivam videiras, mas, segundo Tadeu Cendron, servidor da secretaria de Agricultura local, apenas seis possuem filhos formados na área. “Os produtores estão envelhecendo e poucos conseguem encaminhar a sucessão porque os jovens deixam a propriedade para trabalhar nas cidades”, diz Tadeu.

ViniciusCaliariEPAGRI_MZ.JPGVinicius Caliari, que além de professor da Unoesc, coordena a unidade de pesquisa agropecuária da Epagri de Videira, conta que no início o curso de biotecnologia atraiu filhos de produtores de uvas da região, mas que atualmente a maioria dos alunos vem de outras partes do estado e dos vizinhos Paraná e Rio Grande do Sul. “Os jovens de 25 a 35 anos que moram na região já saíram da agricultura e é muito difícil voltarem, principalmente pelo medo de perderem o salário”, lamenta Julio Vian.

O papel da Epagri e secretarias municipais

Diante da escassez de conhecimento técnico entre os produtores, a cultura da uva no Vale do Rio do Peixe depende em grande parte da informação e acompanhamento prestados pela Epagri e secretarias municipais de agricultura. “A Epagri é essencial no treinamento, controle de qualidade e apoio técnico, caminha ao lado do produtor”, avalia Julio Vian.

Quando os Zanella ainda vendiam vinho no porão, dona Elvira e as filhas faziam compotas e geleias de pêssego para vender em Pinheiro Preto. “Nos procuraram e ofereceram cursos, daí aprendemos a importância de controlar pesos e medidas para estabelecer um padrão para os doces, isso foi muito incentivado”, lembra Suzana, completando que no último curso aprendeu a cristalizar frutas. “Agora vendemos frutas cristalizadas na vinícola”.

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Em Tangará, segundo Tadeu Cendron, a secretaria de Agricultura está presente no dia a dia dos produtores. “A prefeitura acompanha a produção e a tabela de produtos para tratamento dos parreirais”, informa o técnico agrícola. Já os fornecedores da Vinícola Randon recebem orientações dos técnicos da empresa. “Realizamos um ou dois encontros por ano, apresentamos os objetivos aos produtores, trocamos ideias e experiências e fornecemos suporte técnico”, explica Odair Wurlitzer, enólogo da empresa.

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