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Publicado em 26/03/2018

As cassações dos amigos

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O vice-governador Francisco Dall'Igna, durante sua diplomação pela Justiça Eleitoral, em 1965; em julho do ano seguinte, ele seria cassado por determinação do Regime Militar

O auge da carreira política de Ivo Silveira coincide com a chegada dos militares ao poder. Quando estava na quarta legislatura na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, o então deputado chega à Presidência do Parlamento, em 1963.

Um ano depois, foi reeleito ao cargo. Era 1964, e o regime militar já era uma realidade.  O então presidente da Alesc emitiu uma nota. Sem declarar apoio explícito ao novo comando da Nação, Ivo Silveira pedia a “sustentação da ordem constitucional” e destacava “repulsa ao comunismo e mais decidido apego às instituições vigentes.”

Em depoimento ao jornalista Moacir Pereira, Silveira relembra que o clima ficou tenso após 31 de março de 1964, com o início das suspensões dos direitos políticos e consequente cassação de deputados que tivessem alguma vinculação com o presidente destituído e seu grupo político ou que defendessem o socialismo e o comunismo.

O ex-governador garante que praticamente nada podia ser feito para evitar as cassações. Segundo ele, tudo vinha de cima, direto de Brasília, sem que ninguém fosse consultado. “Até hoje ninguém sabe os motivos das cassações. A própria Assembleia era surpreendida com os atos assinados em Brasília. Na maioria dos casos, os deputados tomavam conhecimento pela Voz do Brasil”, declarou.

Colega de Silveira na Alesc, o ex-deputado e ex-presidente do Parlamento Lecian Slovinski, em entrevista à TV da Assembleia Legislativa em 2013, confirmou que nada podia ser feito para se evitar as cassações. Um dos casos mais famosos foi do deputado Paulo Stuart Wright. Ivo Silveira era o presidente quando veio a determinação para cassá-lo.

“O Ivo Silveira queria bem ele, era um rapaz bom. Nós não achávamos que era certo cassá-lo, mas o que a gente poderia fazer?”, lembra.

O ex-governador disse, em depoimento, que Wright era um homem de boa formação e que sua cassação é difícil de ser explicada. “Lembro-me que se criou uma grande onda envolvendo-o com o comunismo. Ninguém podia ser amigo do João Goulart e do Leonel Brizola.”

A perda do vice
Ivo Silveira foi eleito governador pelo PSD em 1965, tendo como vice o médico Francisco Dall’Igna, do PTB, com forte ligação ao movimento sindical. Os dois tomaram posse em 31 de janeiro de 1966 e em julho do mesmo ano, o vice foi cassado pelo regime militar.

Também neste caso, o ex-governador garante que não sabia de nada e que ficou sabendo da cassação pelo rádio. “Ninguém sabe nada sobre esse processo. Foi todo feito no Rio de Janeiro e em Brasília. Alegava-se na época que ele era muito amigo do João Goulart”, declarou, em depoimento ao jornalista Moacir Pereira.

Ivo Silveira afirmou que não teve como reagir à cassação do seu vice. Embora tenha-se declarado triste com o episódio, garante que nada podia ser feito. “Não cabia reação porque o regime era de exceção”, declarou. Ele também descarta a hipótese que seu vice tenha sido cassado por um pedido da UDN, para que os udenistas assumissem a vice-governadoria do Estado, o que ocorreu em 1967.

O ex-governador classificou esse momento como um dos mais tristes e difíceis de sua trajetória política e passou a acreditar que seria cassado pelos militares e não concluiria seu governo. “É claro que eu temia [a cassação]. Vinha logo a ideia: ‘O próximo sou eu’(...). Não havia motivo para cassações. Mas a hipótese me ocorria sempre, porque vinha sempre aquele negócio de combater as oligarquias e eu liderava o partido das lideranças tradicionais."

Cassado, Dall’Igna encaminhou uma carta para Silveira. Em tom sereno, reforça sua crença no projeto político que apoiou ao compor com o governador. “Em poucos meses, Vossa Excelência conseguiu harmonizar a família catarinense, demonstrou perfeita compreensão dos nossos problemas, soube equacioná-los e encaminhar sua solução. Governa como magistrado, fazendo-se respeitar e respeitando os direitos alheios”, escreveu o ex-vice-governador.

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